quarta-feira, 16 de junho de 2010

A vida é para se viver

A vida é estranha. Você sai de casa para comprar pão e de repente conhece a mulher da sua vida na padaria, quando ela precisava de troco para a lotação. É, as coisas acontecem assim, sem muito planejamento. E, é melhor deixar acontecer.

Eu não sou adepto da filosofia pagodianadeixo a vida me levar” ,  mas confesso que as vezes é isso que acontece. Uma das coisas que eu havia decidido para 2010 era retomar o blog com  domínio novo, layout novo, tudo bonitinho como manda o planejamento de projetos e de marketing; como “diz” a cartilha da web, mas a vida é viva.

A ideia: ir para Europa e escrever as aventuras que por lá aconteciam. Sim, eu queria contar as coisas em tempo real, sem dar muito tempo para a análise. Queria criar no momento da enunciação (lá vou eu com Benveniste, rs**). É que eu tinha o desejo de mostrar o Louvre com a minha lente e escrever a minha percepção. Queria dedilhar Londres como eu estava explorando-a com o olhar daquela lente. Eu almejava tanta coisa para produzir que simplesmente não deu.

O fato: cheguei uma bela manhã na Europa, na França, em Paris e fiquei deslumbrado com o sol invadindo o trem, com o meu IMG_0247corpo tentando se acostumar com o frio. Eu queria pular naquele momento, não tinha o desejo de produzir um texto fazer A fotografia, eu simplesmente estava onde eu queria estar: na Europa, na França, em Paris. Depois veio Londres, Bath, Oxford, Edimburgo, Invernes, Dublin e algumas que eu esqueci. Eu fui vivendo e aproveitando aquele ar, aquele frio, a dor nas pernas, a saudade, mas não registrei no blog, registrava em um moleskine, registrava na lente, na memória do meu coração.

Eu vou continuar planejando, não tenham dúvidas, eu vivo disso; eu gosto de inventar coisas e criar possibilidades, mas percebi que as vezes, isso simplesmente não rola. Então, quando acontecer vou deixar rolar… Isso tudo para dizer que o texto sobre Álvaro Campos e Ricardo Reis aconteceu meio que sem querer. Não queria retomar o blog dessa maneira, mas rolou e rolou tão bem com aquele beijo apaixonado na menina da padaria. E tudo isso porque eu fui comprar pão na padaria.

Carlos Carreiro

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