domingo, 2 de outubro de 2011

Vontade de crônicas


Essa semana encontrei-me com vontade de crônicas. Resolvi largar ao vento o termo, ou melhor digitar a palavra no google  para ver o que o destino me reservaria. Já deveria saber que essa coisa de destino não funciona dessa maneira. É que não dá para você deixar que as coisas aconteçam. O negócio é correr atrás mesmo. Até que eu gostaria de ficar esperando, e juro que as veze me esforço, mas a verdade é dura, você precisa dar o primeiro passo, elaborar um pouco mais e ir a luta.

Como não achei nada, resolvi procurar por entrevistas de algum cronista. Com tantos bons cronistas no Brasil por onde, ou melhor, por quem começar. Então veio-me um nome. Nelson Rodrigues. Por que o Nelson? Não tenho ideia. Nunca li nada dele, apenas alguns textos sobre ele e adaptações do seu trabalho para a TV. Pois bem seria uma excelente oportunidade, mas por onde começar. Vamos para o Youtube.com.

Cheguei na porta, e perguntei pro moço se ele tinha alguma entrevista do Nelson, queria umas dicas de livros e tals. Encontrei uma entrevista. Quer dizer, era mais uma conversa entre ele, o Nelson, e o Otto Lara Resende. Confesso que esperava bem mais do seu Nelson. Talvez pelo fato dele estar ainda se recuperando do coma, fizessem com que ele parecess algo diferente do que eu imaginava. Vaguei por tubes e encarei trechos da última entrevista da Clarice. Descobri, não na entrevista, mas em outros videos que o "sotaque" dela era na verdade um problema de língua presa.

Uma coisa liga a outra, o pensamento voa e lembrei-me então de outro personagem da literatura brasileira que tinha problemas "vocais", Machado. Outro bom escritor brasileiro, lembro de ter lido algumas de suas crônicas em A Semana. Lembrei-me dos meus livros.. Senti falta dos meu livros, dos livros que estão no Brasil talvez a vontade de crônicas, seja uma vontade louca, como se eu precisasse saciar uma fome por esse tipo de textos. Daí pensei, talvez essa vontade seja só para suprir a carência da presença dos meus livros.

Enfim continuem perambulando no Youtube em busca de uma entrevista ou algo que motivasse não a escrever, mas a buscar uma pergunta que eu ainda não formulara corretamente. Precisava de ferramentas, de informações (sim, porque além de fome tenho sede) para entender as coisas. Lembrei-me então Jabor. E achei uma entrevista dele no programa do Jô. Tinha sido feita logo após as eleições no Brasil. Mas era bem diferente da entrevista do Nelson e do Otto, essa tinha mais vida, mais energia, ou simplesmente porque eu estava entendendo melhor as piadas. :-)

A entrevista acabou e fiquei com fome. Estou tentando achar o último filme dele, do Jabor, para assistir e queria muito um livro dele, um de crônicas para ler. Olhei para o lado e comecei a rir. É engraçado, eu ter ido até o Nelson, passado pela Clarice, relembrado Machado para lembrar que ao lado da cama tem um livro de crônicas do Arnaldo Jabor. Ali do meu lado, só me cuidando, me namorando, quietinho a minha espera.

Pensando bem, acho que na verdade, as vezes basta sim o primeiro passo para que as coisas aconteçam. Deixa eu ir lá que o Jabor esta me chamando.


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