Parece que foi ontem que cheguei no aeroporto de Dublin. A alma leve e um coração aflito, pura ansiedade. Não imaginava o que os meses trariam para mim, não imaginava o aprendizado, não sabia como lidaria com os momentos solitários. Eu sabia que ia começar uma vida nova, mas não sabia como as coisas ia funcionar. Muitas dúvidas, incertezas e medo ao longo do caminho. Uma caminhada se começa assim. Eu não sei se eu comecei quando disse que viria ou se foi aquele primeiro passo depois da imigração irlandesa.
Aprendizado? Sei que sempre aprendemos algo novo, mas quando falo com os meus amigos não consigo dizer se evolui no inglês; não consigo explicar o que essa experiência trouxe ou trará na minha vida. Por exemplo, em uma análise histórica de um evento é difícil avaliar acontecimentos recentes, isso porque você está em meio a eles e não consegue afastar-se o suficiente para fazer uma avaliação, mais neutra e objetiva. No caso, do que aprendi na Irlanda, acontece a mesma coisa, não consigo ainda analisar os frutos nessa caminhada, embora eu saiba que as sementes foram plantadas e estão sendo cultivadas.
Mas acho que mais importante é que a vida continua, apesar de tudo. Talvez esse tenha sido o aprendizado até aqui. Você pode escolher fazer alguma coisa ou ficar parado, mas as pessoas se casam, os filhos nascem, pessoas morrem; os amigos se afastam, alguns continuam, outros surgem; o amor aparece para alguns, para outros a busca continua.
A vida se faz assim mesmo, de pequenos momentos que somados fazem história. As vezes parece que nada acontece. Quando penso assim, tento lembrar daquele primeiro passo no aeroporto.

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