Já havia esquecido de comentar um assunto: há um ponto positivo em não ter computador em casa, percebi que há vida fora da internet também. É dificil pensar que vivemos em um mundo, no qual algumas pessoas estabeleceram vínculos virtuais tão fortes. Talvez não seja estranho, se pensarmos que muitos deixam de sair de casa, ver pessoas para ficarem assitindo a novela das oito. O que me intriga é entender porque uma parte de nós prefere se esconder, não ver pessoas enquanto que outra necessita do convivio pessoal.
Talvez tenhamo vivido tanto tempo sós, que estamos criando maneiras para diminuir esta dor. Vivemos nas experiências dos outros aquilo que gostaríamos de viver e não conseguimos. Até quando faremos isso? Esconder-se, isolar-se é fugir de si mesmo. Não é dos outros que nos escondemos, acredito que há algumas verdades pessoais que são muito fortes para convivermos tranquilamente com elas.
Enquanto escreve, lembro das tragédias gregas e de um conceito chamado cartase, no qual o espectador sente a emoção representada pelo personagem na peça. Os séculos passaram, mas ainda buscamos isso em alguams formas de expressão, na televisão e no cinema principalmente. Por que não no teatro? Porque no teatro dói mais, a linguagem parece se mais real porque não há uma tela que separa o espectador da arte; não há um divisor de águas, a qualquer momento a realidade pode se misturar a ficção se formos convidados. Explico: ser convidado para participar de um espetáculo, no momento de sua apresentação é fazer parte da ficção, mas esse fazer parte é própria realidade; é uma nova experiência a ser vivida. Penso que vamos pouco ao teatro, que atua diz que é algo prazeroso; justamente porque gostem de fazer isso, mas penso também que não podemos nos privar de certas emoções na vida. É preciso arriscar, sofrer, amar.
Vejo que o grande brilho da vida esta justamente em sua constante mudança, e para vivenciar esta mudança, ás vezes é preciso deixar o conforto e a segurança que criamos, seja atrás de um computador, ou da tevê, ou de máscaras que criamos. Ás vezes, o que nos falta é simplesmente deixar a vida nos levar por um pouco, para que tenhamos novamente que a nossa vida só a nós pertence.
Um bom final-de-semana a todos.
Abraços,
Carlos Carreiro

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