terça-feira, 23 de janeiro de 2007

Meus 28 anos ou o que é a amizade para mim?

Acabei de completar 28 anos de idade, e quero aproveitar o momento para refletir resumidamente sobre algumas coisas que fizeram de mim o que sou. Eu acho que aprendi algumas coisas nesses anos. Queria comentar sobre estruturas da nossa formação. Penso que a estrutura base do nosso ser é a família e que a religião ou a crença em um mito ao qual devotamos a fé é o que nos move; de certa maneira, a familia representa o nosso passado, quem nós somos e a fé, o futuro, aquilo que queremos ser. Mas tive e tenho muitos desencontros com essas estruturas. Eu tive, nos últimos anos, essas duas estruturas desconstruídas da minha vida. O único momento em que tive paz espiritual foi quando aceitei ser ateu, e deixei de crer que uma família fosse fundamental para que eu tivesse estrutura.

Há muitas maneiras de encarar mudanças, e no primeiro momento eu escolhi a mais fácil deixar de crer nessas coisas fundamentais, mas descobri algo em que semprei acreditei: na amizade e no amor. Quanto ao segundo não tive tanta sorte, mas ao primeiro...

A Amizade é um especie de amor sem sexo, simbolizado ou personalizado na figura do amigo. Eo que é amigo? Amigo é simplificamente falando aquele para o qual nutrimos um sentimento de amizade; é aquele ser que nos compreende e que esta ao nosso lado nos bons e nos maus momentos, aquele que chora com a gente, que ri com a gente, mas é também que ri e chora da gente. É que aplaude, é aquele aguenta assistir ao filme mais chato porque é importante pra gente. É aquela pessoa especial que esta ao nosso lado, mesmo quando parece estar contra a gente. É aquele chato ou chata que não deixa a gente ir com a turma da bagunça, ou quer nos levar pra casa quando começamo enrolar a língua e a festa tá esquentando; é o pentelho que briga com a gente, quando todos tentam entender, que se preocupa com a gente mesmo que para isso precisa dizer algumas verdades que pode nos magoar. É aquele que sente orgulho de ver o quanto crescemos, que sente orgulho quando recebemos um premio, que senteo orgulho quando nos formamos. Que nos dá força para fazer aquela viagem tão sonhada, que torce pela nossa ida, que leva as nossas malas que vai ao aeroporto ou à rodoviaria para nos receber, que espera a nossa volta; é aquele que queremos ver sempre, mas se ficamos três ou seis meses sem ver nos entendemos; é aquele que queremos que esteja conosco nos momentos especiais, mas que entedemos quando eles não estão; é aquele a quem chamamos de irmão independente se tem ou não o mesmo sangue do que o nosso; é por quem brigamos na escola, ou lutamos na vida, é por quem nos ampara na dor e nos estende a mão quando caímos, é quem nos espera quando as cortinas do palco da vida caem. É aquele a quem não temos vergonha de pedir dinheiro ou dizer que não temos como nos manter, é convidente.], é ouvinte. É aprender a ser leal. É aprender a dividir as coisas, a querer bem, a receber e dar carinho. É aprender a ser triste e a ser feliz.

Benveniste, um linqüísta francês, diz que o mundo existe pela linguagem. É nomeando as coisas que elas passam a existir. Embora eu concorde que há lógica nesse pensamento, eu não posso concordar inteiramente com isso, pois não consigo nomear a amizade de uma maneira abrange e mágica como ela merece. Eu sei que ela é soma, que é também divisão, multiplicacao e subtracao, mas sei que não é cálculo. Quando deixei de crer em deus eu me vi sózinho e me voltei para a minha família, então percebi que eu continuava em só, mas estava em paz. Eu tinha entendido que os conceitos de familia e deus já não me serviam mais, mas o conceito de amizade começava a renovar-se novamente. Me agarrei nas pessoas que me estendiam a mão, cai muitas vezes pois muitos puxavam a mão quando eu esticava a minha, mas outros me seguravam firmes, me puxavam pra cima e davam-me um abraço de quebrar costela. Foi por isso que senti paz em minha alma, alegria de viver e esperança quando deixei de crer em família e em deus, pois eu restringia essas estruturas fundamentais aos meus tios, tias e primos ou a um deus; mas há pouco tempo eu consegui entender que a minha maneira de crer em uma força suprema é perceber que meus amigos são particulas dessa força; que minha mãe se mantem viva em mim; que meu pai não sou eu, mas é a ele que devo quem eu sou; que meu irmão foi dádiva que recebi em ter um amigo de sangue. Sei que Benveniste esta errado, porque não é apenas com palavras que conseguirei dar a dimensao disso, é no dia a dia, participando da vida dos meus amigos e deixando que eles participem da minha.É só assim que conseguirei escrever através da minha história o que a amizade realmente representa para mim, uma tríade de amigos-família-fé.

Com os meus 28 anos, eu acho que cresci. Mesmo sabendo que ainda sou uma criança, que ainda tenho no peito um romantismo que sempre foi tão caro, é que ainda tenho muito para aprender. Eu percebi que as vezes é fundamental complexar algumas questões para que outras se tornem mais caras e simples pra gente. Os meus amigos demonstraram que há diversas, alias inúmeras maneiras de crer na fé, de crer na vida, no amor e também que há inúmeras maneiras e explicações de não crer nisso; que há diversas estruturas que são fundamentais para o ser humano, mas para mim a fundamental e a que me faz evoluir eu chamo de amigos.

2 comentários:

Anônimo disse...

Cara,

Sem palavras. Só não chorei pq não sou fresco! ;-) Lindo texto, de emocionar mesmo. Parabéns! Parabéns pelo talentoso escritor, pelo grande amigo, pelo grande irmão, pelo grande ser que tu és. É um prazer contar com tua companhia em minha vida e ter a certeza de encontrar em ti tudo aquilo que descreveste no teu texto! Grande abraço!!!

Jefferson

Anônimo disse...

Mudanças... quem não as vive?
Todos, em algum determinado momento da vida somos "reinventados" por ela.
O momento do nascimento,o primeiro andar, a primeira aula,o primeiro beijo, a primeira transa,o primeiro trabalho, o 27º trabalho(hehe!!!)A perca de um(a) grande amigo(a), a volta do(a) mesmo(a),o desencarne de um ente ou amigo querido, a velhice, a morte... e assim sucessivamente.
Não podemos fugir dela,mas sim encará-la com firmesa e respeito.
Vivemos em um mundo de muitas informações,muitos meios de chegar até elas. Elas tem informações boas, ruins,verdadeiras, metirosas, de todo tipo. Isso com certeza embaralha qualquer pessoa.Umas conseguem disernir o que é bom ou mau,outras tem muita dificuldade.
Em um mundo de muitas mudanças e informações é absolutamente aceitável entender porque uns gostam do azul, outros do amarelo, do vermelho,etc.,assim, adotando a mudança e a informação que lhe convém.
Amigo,seja o que quiseres,pense o que lhe convém, não importa o teu sentimento sobre religião,e sim o teu sentimento pelo ser-humano.
Eu, Afrânio de sousa, te garanto que serás feliz quando a felicidade desses que te rodeiam será a sua felicidade, o teu descanso de espírito.
Você estará fazendo igual a uma lenda que fala de um homem que viveu para guardar a felicidade de uma humanidade que não o respeitava e nem a quem os criou,mesmo sabendo disso quis morrer para dar exemplo de devoção ao seu criador. No auge de sua dor Gritou com toda a força que ainda lhe restava e pediu a seu pai que os perdoassem pois eram ignorantes de informação e avessos as mudanças.
Não venho aqui para lhe impor nada,muito menos diser que isso ou aquilo é o certo. Vim apenas lhe homenagiar pelo bellíssimo depoimento aqui dado e parabenizá-lo pela coragem de aceitar mudanças.
Ah, mais uma coisa: a concepção "familia" é muuuuuuiito maior do que imaginas.Nós, humanos, somos irmãos de caminhadas milenares que,nascendo e morrendo várias vezes, AINDA não soubemos lidar om as mudanças que fazem não só o nosso bem, mas a todos os seres viventes nesse carrossel esférico chamado Terra.
Parabens meu amigo Véio.E para não perder a piada sem graça, digo:
-Tá ficando véio em véio????(ha,ha,ha,ha,ha!!!)
Um abraço virtual!!!

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