sexta-feira, 30 de janeiro de 2009

Carta ao pai: algumas notas (i)

Ontem, comecei a leitura de "Carta ao ao pai", Franz Kafka. Estou no início, mas já percebi que algo esteticamente diferente do que O Castelo, O Processo ou A Metamorfose. A diferença é em grande parte compreensível, dendo em vista que o gênero também muda e nesse aspecto se faz necessário também a mudança em relação ao meio, se pensarmos em uma perspectiva discursiva  a partir de Bakhtin.

O interessante é que ao usar a primeira pessoa, Kafka causa uma sensação de força do escritor e nao do escrito. A linguagem, ora usada para criar poesia e causar estranhamento artístico, agora ganha uma força para ferir e atacar. Até o momento da leitura, me parece que Kafka busca culpar o pai pelos seus demônios e fracassos,  e dessa maneira espera conseguir a paz consigo mesmo. 

O interessante é que me senti um pouco Kafka ao perceber o quanto devemos aos nossos pais: seja isso em aspécto positivo ou negativo; quanto influência deles temos em nossas ações? quanto de nossos medos devemos a eles? quanto de nossa ousadia herdamos deles? E até quando ficaremos presos a eles ao ponto de impedir e traçar o nosso próprio caminho. 

A leitura apenas começou.  

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