domingo, 18 de janeiro de 2009

O dia em que a terra parou carece de emoção

Quando a radio novela O dia em que a terra parou foi narrada pela primeira vez ninguém acreditava que a história fosse tão convincente. Chegou ao ponto de mobilizar pessoas a saírem de suas casas apavoradas pensando que a narrativa fosse um noticiário e que a aquilo fosse real.

A nova versão para o cinema não teve o mesmo efeito nem o mesmo encantamento. O filme conta a história de um alienígena, Klaatu (Keanu Reeves) que vem a Terra para salvar o planeta e se for necessário destruir a espécie humana. Da idéia da história original mudou o motivo da vinda dos extraterrestres. Adaptado para o contexto atual, alguém de fora precisa vir limpar a bagunça que fizemos com o planeta. Uma espécie de arca de Noé moderna.

Na nova versão para este clássico algo parece estar fora do lugar, às vezes faltando outras sobrando. É difícil entrar de cabeça no filme. A narrativa não tem um ritmo que permita desfrutar do enredo ou perder o ar com muita emoção. Ela não fica nem na perspectiva psicológica que gera mudanças nos protagonistas, tampouco fica com as fortes cenas de ação; não é propriamente um filme de ação, também não é de drama, e tampouco parece ser ficção científica. Talvez seja uma espécie de filme catástrofe. O problema é que não se decide ao que se propõem.

A produção, no entanto, merece crédito pelos efeitos especiais e por algumas atuações. A atuação do jovem ator Jaden Smith (de À Procura da Felicidade) que interpreta o Jacob merece elogios. A desobediência do personagem é tão real que chegamos ao ponto de perder a paciência. Talvez seja esse o único ponto, no qual conseguimos de fato interagirmos com a narrativa e fazermos parte dela.

Com tanta propaganda de grandes marcas, o filme poderia ter ficado mais harmonioso. Nem a mensagem de que precisamos cuidar do planeta, tão batida e ainda não assimilada, não fica clara. Máquiavel, em seu livro O príncipe, disse que uma vez que um rei, governante não pode ficar em cima do muro, acredito que filmes também não. Ficou faltando mesmo ao filme mostrar a que veio: mostrar atitude, emoção para os atores e para o público. Arte precisa de emoção e como o cinema é arte...

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