É tão estranho
Os bons morrem jovens
Assim parece ser
Quando me lembro de você
Que acabou indo embora
Cedo demais..."
Love in the afternoon - Legião Urbana
Não é sempre, mas há dias em que a gente tem vontade de chorar, abrir o berreiro e pedir colo de mãe. Não é sempre, mas às vezes dá vontade de se esconder embaixo da cama e não ver ninguém. Mas sempre é bom ter um abraço das pessoas amigas e próximas, principalmente nos dias em que as pessoas que se foram nos doem no peito.
Não é sempre, mas hoje foi um dia assim. De repente a gente percebe que tem pessoas que não gostam da gente, que nos mostram uma cara e tiram a máscara quando não olhamos. E em casa, diante do espelho, percebemos que estamos com aquela cara de bobo, de quem não consegue acreditar e fala besteiras para não chorar. Mas isso passa, é só lembrar que tem um monte de gente que nos ama e que podemos confiar. No entanto, a gente também lembra daqueles que não estão aqui, daí dói. Lá no fundo.
Hoje é um dia triste, foi o dia em que morreu a mãe de um grande amigo meu. Conversei com ele, sobre saúde, viagens, infância, sobre a vida e, mesmo não querendo, acabamos falando da morte. Ele se mostrou forte, uma rocha por fora, mas eu entendo, sei que por dentro dói. E vai doer mais, é uma saudade que nunca mais será saciada. Foi um dia triste. Na tristeza dele, lembrei da minha e o compreendi. Lembrei da minhã mãe, que se foi há alguns anos.
Quando alguém que amamos se vai, o que sobra é o vazio. No começo, até dá pra tentar “seguir a vida” e até se consegue. Afinal de contas, a vida continua. Mas quando a gente lembra, dói. Não tem como não doer. Sei que não poderei mais abraça-la, sair para caminhar e conversar, não farei mais confidências, não terei mais colo e isso dói.
Lembro da época da faculdade depois de um dia conturbado no escritório; lembro que eu não ia pra casa, ia para casa da minha mãe. As vezes nem falava do que me incomodava, mas apenas o fato de estar ao lado dela, na casa em que eu me criei, dava-me uma alegria, um conforto, uma paz que jamais terei, não daquela maneira. Eu aproveitei enquanto pude a presença dela, mas sempre ia querer mais.
A verdade é que a vida continua mesmo e o que nos resta é seguir em frente e buscar força naqueles que ficaram, nos amigos; naquelas pessoas que amamos e que nos ajudam a crescer, a sermos melhores a cada dia; que nos ensinam a levantar a cabeça e contiuar. É, precisamos aproveitar com os que ficaram, amá-los e quem sabe reencontrar a paz em uma caminhada no final do dia. Afinal, o dia morre, mas um outro nasce cheio de alegrias e esperanças.

Um comentário:
Carlitos, um trecho de uma música, que fala justamente sobre isso. Ela se chama "Um dia estranho":
"Só o tempo pode arrumar os sentimentos
Achar um lugar onde esconder a dor
A gente finge que não vê
E ela finge que se foi
E aí "nunca mais"
Pode ser "qualquer hora"
E se a saudade vier
Deixa vir, deixa passar
É como a chuva lá fora
Vai cair, vai molhar
Olha o sol vamos embora".
Fica bem. Beijos!
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