Sei falar que foi tudo muito corrido e foi necessário parar tudo por um tempo. E eu vinha correndo regularmente, com muito trabalho, projetos, planos; enfim estava a 120Km/hora e ter que dar uma parada foi algo, no mínimo estranho, mas é uma coisa que tenho buscado muito ultimamente, uma parada mesmo. E foi uma parada intensa na casa do pai.
Desde os tempos clássicos, da Grécia, que os conflitos entre pais e filhos são comuns. Turgueniev em seu livro, Pais e Filhos, usou dessa relação para tratar da mudança de valores sociais e culturais de uma geração para outra. Renato Russo, com uma música, sobre o mesmo título também trata dessa rica relação. Comigo não é diferente, tenho uma relação que as vezes não concordamos e, como dois teimosos, cada um no seu canto.
Há alguns anos que o pai teve um AVC e isso mudou bastante nossas vidas. Desde então, os encontros com o pai, principalment nos últimos tempos, é quase sinonimo de novos problemas que me são atribuídos, mesmo que as vezes eu não queria. É conta atrasada, gente que o incomoda, remédios que precisam ser tomados e médicos agendados. Ele consegue ter uma autonomia, mora sozinho e penso que isso é muito importante pra ele e para mim, mas tem sempre uma carência que eu não consigo preencher. E tem a minha que também não é preenchida, porque as vezes tenho saudade de ser só filho.
Enfim, nesses dias mais próximo dele, não tivemos sossego. Eu fechado, ele reclamando da vida, às vezes, pelo simples prazer de reclamar, sem a aparente vontade de mudar. Bem, tem umas coisas que me irritam, umas manias que deve ser coisa de pai e de filho. Certamente, eu tenho as minhas manias que o irritam também. Queria repouso e paz, e o vendo fica dificil de encontrar repouso tranquilo para os meus pensamentos e para minha alma. Falamos pouco, mas sabemos nos respeitar, aprendemos isso com o tempo.
Tanto que quando acordei hoje, percebi que a tristeza pairava sobre ele. Eu estava presente, eu estava ao seu lado, mas isso não fazia a mínima diferença.
Eu cobro muito de mim e das pessoas a minha volta que lutem, não raro sou muito duro, mas hoje não sei porque, preferi ir ao rio, pegar o peixe ao invés de ensinar a pescar. Eu não agi com sabedoria, só senti que precisava fazer algo para que eu também não ficasse triste. É que a tristeza se alimenta da inatividade. Liguei para uma pessoa que ele queria falar, mas que não “conseguia” ligar; fiz a refeição que ele gostava e, no final do dia, ele estava bem.Não tive a calmaria desejada, pelo contrário, é um saco perceber que sempre tem uma coisa pra fazer, um problema pra resolver, mas o pior de tudo são aqueles olhos tristes, cansados e descrentes; quando o desanimo invade a alma, isso dói mais do que qualquer coisa, é materialização dessa tristeza que mais me agride. Porém, quando vi aquele sorriso de alegria, aqueles olhos brilhantes no final do dia; aquela força interior gritando “Eu quero mais, eu quero viver”. Percebi que todo o resto era pequeno e que eu estava onde tinha que estar hoje. Eu me senti um ser humano melhor hoje do que era ontem, e isso me faz muito bem.


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