quarta-feira, 23 de novembro de 2011

Algo em comum


Dublin - Nunca fui muito de puxar assunto. Timido do jeito que sou, é mais fácil fazer os 10 trabalhos do Hércules do que iniciar um papo do nada. Mas quando cheguei aqui tive que inventar algumas artimanhas para conversar. Eu precisava destravar e prativar o inglẽs e não tinha jeito.

Participei de alguns grupos de conversação ou grupos de linguagens. O começo é igual em todos os tipos de reuniões iniciais que tive. Começamos nos apresentando, dizendo o nosso nome e perguntando os demais. O que acrescetamos aqui é de onde você vem (país de origem). E daí o assunto anda com perguntas e explicações do que estamos fazendo na Irlanda, nossas motivações planos para o futuro.

E quase sempre o assunto vai para uma espécie de metalinguagem, usamos inglês para falar do inglês (idioma). Até ai somos desconhecidos, meio que com medo um dos outros. Não nos tratamos como aliados, parceiros de estudos, ficamos reservados. Essa imagem de iniciantes no idioma lembra-me um campo de batalha onde todos temem o inimigo, de certa forma nos vemos como rivais nesse campo de guerra linguistico. Sabemos das nossas limitações, dos medo de errar, da pronúncia incorreta, da confusão do tempo verbal.

Mas é como um estrategista de guerra disse uma vez, se quiser fazer com que dois rivais se unam, lhes apresente um inimigo em comum. Então falamos do sotaque irlandes. E pronto. Todos nós esquecemos dos erros e soltamos o verbo. Somos aliados, já esquecemos da nacionalidade e somos irmãos de aprendizagem. E até concordamos que o nosso inglẽs não é ruim não. O problema é dos irlandeses que não sabem falar direito. Esquecemos dos erros, dos medos e eu até esqueço da timidez.

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