sábado, 10 de março de 2012
Diabo, Freud, detalhes
Uma vez escutei uma frase que foi atribuída ao Freud e era mais ou menos assim “o diabo mora nos detalhes”. Não entendi o contexto na época e em vão procurei o texto do Freud sobre isso, mas uma coisa ficou, os detalhes. Não sou um caçador de demônios ou idolatrador do Diabo, mas com o tempo tornei-me, como me chamo, um apreciador de detalhes.
Gosto das pequenas coisas em grandes engrenagens; aquele pequeno parafuso que foi construído especialmente para aquela função, que demorou mais do que a engrenagem em si para ser produzida. Esse pequeno parafuso tinha que ser feito manualmente e perfeitamente irregular para a função.
Não sou o único, lembro que o Amyr Klink na construção do Paratti teve um caso semelhante, no qual ele enlouqueceu a equipe em busca de parafusos “perfeitos” para que tudo desse certo. São detalhes. Mas eles me fascinam. Lembro que na saga StarWars, no terceiro episódio, os Jedis lembram de apagar as memórios do R2D2 e do C3PO. Detalhes, mas isso explicava uma dúvida antiga minha:por que os robôs não revelaram a verdade.
É claro que percebo também quando eles não estão presentes. Por exemplo, em um filme que se passa em Paris e todo mundo fala inglês. Para mim não faz sentido ou no mínimo criar uma desculpa para que eu posso entrar na história. Em Meia-noite em Paris há essa desculpa; eles são turistas, vão para área de turistas e a noite, os artistas são americanos, estrangeiros. É um detalhe em toda a história do filme, mas eu gosto de detalhes, acho que aprendo muito com eles.
Quando um artista, diretor, escritor, ator presta atençao aos detalhes ele esta querendo dizer, em outras palavras, eu preciso fazer do meu trabalho o melhor porque alguém vai assistir, ler, ver, enfim para um tempo de suas vidas para olhar o meu trabalho. O mínimo que preciso fazer é que ele esteja no mínimo bom. É claro que tem a crítica né? A crítica má, que só quer destruir um trabalho de meses, anos, as vezes até décadas. E onde ela vai procurar as falhas? sim, nos detalhes. Mas e quando se trata do ser humano?
A partir de agora, comecei a entender melhor o Freud. É nos detalhes mesmo que esta o Diabo; só a espera de uma oportunidade para se mostrar. Ele passa desapercebido pelo trabalho da gente e quando menos esperamos, ele aparece. Às vezes, nos destrói, mas acho que o Freud não queria falar de destruição, mas de revelação. É que nos detalhes mostramos quem realmente somos e também a grandiosidade de um trabalho. É como se fosse o inconsciente, aquilo que escondemos até então, se revelasse nos detalhes. Penso nas pessoas que admiro e o que me encanta nelas é que, em geral, suas atitudes comprovam suas palavras. Quero dizer que os detalhes mostram-me que essas pessoas são verdadeiras consigo mesmo.
Hum... É seu Freud, faz sentido a sua frase, o diabo mora nos detalhes.
sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012
E o chimarrão, tchê?
Eu disse claro que pode e lembrei quando eu trouxe erva para a Europa. Foi em fevereiro de 2009. Eu estava planejando conhecer Paris, Londres e visitar uma amiga que estava em Dublin. É claro que ofereci levar algumas coisas para ela, mas ia demorar um pouquinho porque ia fazer um tour por Londres e talvez Escócia.
Foi uma viagem maravilhosa e aquela erva acompanhou-me ao longo do caminho. Quando cheguei em Paris, não sei porque, mas todos os brasileiros, e só os brasileiros, estavam tendo suas bagagens revistadas. "Caralho, agora danou-se como vou explicar que essa erva não é aquela erva. Eles não vão acreditar" pensei. Mas como bom-alguma-coisa que sou, deixei pra lá e coloquei as malas para revista, com uma cara de indignado, não entendia um bom dia em francês, mas sabia que eles entenderiam a minha. No fundo, eu tava cagado. Imagina, sair de Alvorada (é uma cidade perto de Porto Alegre, não se se esta no mapa) e ser deportado por levar erva-mate.
A minha mala passou e eles nem prestaram atenção na minha existência. Ufa. Fui correndo para o banheiro (não entendeu, deixa pra lá) e depois fui pegar o trem para o centro. Fiquei maravilhado quando cheguei ao centro e com as ervas.
Dois dias depois, fui para Londres. Dessa vez foi o contrário. Eu estava calmo, até chegar o momento da imigração: fiquei uns 15 minutos, mas pareceram uma duas horas, respondendo aquelas perguntas em inglês. Até hoje, não entendo como eu consegui respondê-las. Passei pela imigração, eu e a Erva. Ela acompanhou-me em Bath, em Edimburgo e Inverness.
Então estava chegando perto ao destino final: Dublin. Uma confusão para conseguir ir até lá, mas no final, conseguimos dar um jeito. Pegamos um ônibus, de Edimburgo para Glasgow. De Glasgow até a barca; atravessamos de barca e chegamos na Irlanda do Norte, em Belfast; De lá, pegamos outro ônibus, e então finalmente chegamos em Dublin: eu e a erva.
Três dias depois, despedi-me dela e voltei para o Brasil. Bela companheira de viagem e o interessante foi, passou tão rápido, que nem tivemos tempo para tomar um chimarrão, tchê.
domingo, 29 de janeiro de 2012
sobre acordar com ressaca sem beber
o problema é que de nada adiantou, a cabeça faiscando de pensamentos e ideias, os olhos vidrados nos seriados americanos e sono desistiu de mim. passava das 5h horas, quando encontrei o sono perdido na madrugada. talvez, os meu sono estivesse perdido nos pubs esperando que eu chegasse, esperando que eu fosse encontrá-lo. nada disso apenas desencontros, como tantos na vida.
acordo desse jeito ressacado sem beber, meio sonolento sem vontade de levantar. por outro lado, meus vícios pularam da cama, tão logo despertei e buscavam nas memórias o gosto da cerveja e as escritas retas dos meu preferidos autores. não, mas dessa vez não com o chato (o saramago é um chato), voltei minhas leituras para algo mais sujo e humano. não nego sou fã dos ver podres e cansados do velho safado. Charles Bukowski.
acordei com uma ressaca sem ter bebido, com uma vontade de viver o que não tenho vivido. enfim, acordei como uma intensidade magnética que quer absorver tudo, daqueles que tem fome e sede de tudo. Vasculhei nas versos tortos e achei um velho conhecido:
I don't know how many bottles of beer
I have consumed while waiting for things
to get better
também não sei, também não tenho resposta para essa indagação, mas sei que amanhã será um novo dia. não vou acordar com ressaca sem ter bebido ou com sono por ter ficado em casa. amanhã vou acordar podre de cansaço e da sujeira do mundo. hoje vou embriagar-me dessa cerveja barata e sujar-me as deliciosas tentações da vida. espero uma única coisa, que meu anjo não esteja de folga.
sexta-feira, 27 de janeiro de 2012
saramago é um chato
é claro que eu o admiro, mas quando ele falou aquela frase, meus olhos baixaram. eu que sempre me vi um dom casmurro, via na figura do escritor um dom quixote. um guerreiro que luta contras as injustiças e leva esperanças as pessoas. embora meu herói seja barroco minha concepção de escritor é romântica. por conta disso, aquele pensimismo me doeu.
e foi como um rompimento. eu continuei lendo saramago, mas separei o homem do artista. é que para mim, eu leitor ingênuo, vejo na literatura a esperança de um mundo melhor. mesmo sabendo que ela já foi usada como propagação do poder, de ambos os lados; que ela já foi usada para manipular pensamentos de esquerda e de direita, mas ela é feita por homens e prefiro pensar que o escritor não é um pensimista, que ele é um chato. que acha que sabe das coisas e se perde em seus textos. e sem perceber, lhe dá mais vida que a que possui.mas a própria literatura resolve a questão. você escreve sobre a dúvida entre um emprego e outro e alguém interpreta sobre o amor. sim essa é a literatura, tão imprevisível quanto os corações humanos. mesmo o saramago, com todo o seu pensimismo trouxe esperança para muitos, mostrou uma outra visão de ver as coisas; inspirou escritores, dando-lhes esperança que poderiam escrever algo de bom ( e alguns conseguiram), que uma historia poderia ser reescrita, e pode.
o saramago, mesmo morto, mesmo sendo chato e pensimista continua sendo, para mim, um grande escritor. ele é chato, sua literatura não.
quinta-feira, 26 de janeiro de 2012
palavras, liquidificador e aniversário
já passei dos 30 e ainda não aprendi lidar direito com o meu aniversário. todo ano é a mesma coisa: tudo me aborrece, nada tem graça ou sentido; uma sensação de cansaço; uma vontade de fazer nada e refugiar-me. tenho uma amiga que dá o nome ao período pré aniversário de "inferno astral". gosto do termo. há alguns anos, quando as pessoas ainda perguntavam o que eu tinha, apenas respondia, estou no meu inferno astral.
quando estou sem a lista de projetos definida, isso me aborrece ainda mais. uma cobrança do que tem sido a minha vida, o que tem feito de especial, uma necessidade de mudar. porque algo esta errado, algo esta fora do lugar. não consigo mais olhar a luar e ver o brilho, só vejo uma bola redonda no escuro. porra é uma imensa bola redonda, brilhosa, imensa que esta flutuando na escuridão do universo. caralho!!! entendem a revolta?
esse ano não foi diferente. vem aquele liquidificador, a batadeira, os igredientes e a receita intitulada "quem é o carlos e o que é a vida dele" e eu batendo vento e misturando pensamentos. no dia do aniversário recebo os parabéns, geralmente calado, mas conforme o dia vai passando vou reaprendendo algumas coisas, vendo outras. percebo que o carinho e as felicitações são os igredientes que faltavam, pois não se faz uma vida só de pensamentos. leio os recados, e começo a descobrir através dos olhares dos outros quem eu sou; leio e escuto sem entender direito a distância entre eu e eu mesmo.
passa a famigerada data e continuo confuso, mas não me sinto vazio. descubro-me amigo, descubro-me com essência. ainda carente de mudanças, das quais, umas não encontrei a força para mudar outras a mudança já começou. mas ainda algo que me falta para nomear o momento, uma inquietação... sim é isso, é essa a palavra. bem, eu tenho andado inquieto, mas falo disso outra hora porque esse já foi.
sexta-feira, 2 de dezembro de 2011
sobre caminhar e perder-se
Esses dias acordei com vontade de caminhar. A vontade não veio do nada, voltei a pensar mais seriamente em fazer o caminho de Santiago. Queria começar ontem, mas como ainda é preciso dinheiro para as passagens, um pouco de equipamento e preparação, controlei a ansiedade.
quarta-feira, 30 de novembro de 2011
normal ou fora de ordem
segunda-feira, 28 de novembro de 2011
Hoje só vou falar de trigo
Lembro que uma das coisas que mais ouvi das pessoas, quando tomei a decissão de ficar um período fora do país dizia respeito a saudade. Nas leituras em livros, blogs e grupos de discussão o assunto também estava sempre presente. Saudade existe sim, mas eu acredito que nesses pouco mais de oito meses tenho me saido bem. domingo, 27 de novembro de 2011
Arthur Christmans:um filme igual só que diferente
sexta-feira, 25 de novembro de 2011
O cinema na Irlanda

quarta-feira, 23 de novembro de 2011
Algo em comum
segunda-feira, 21 de novembro de 2011
Conversas de boteco
domingo, 20 de novembro de 2011
planejar para lembrar
domingo, 6 de novembro de 2011
Esse mundo mágico
Já comcei centenas de livros escritos em inglês, mas como demoro muito para ler, porque há estruturas e palavras desconhecidas, acabo deixando de lado o livro e começando outro. Há algumas semanas, resolvi ler textos mais simples, aqueles com Stage 1, stage 2, os quais possuem estruturas e vocabulário adequado ao seu nível de inglês. quinta-feira, 3 de novembro de 2011
Por que os (meus) textos não nascem?
No sábado após a festa de Halloween, antes de dormir, naquele estado em que precisa-se dormir, mas quer prolongar a noite, iniciamos uma conversa sobre inspiração criar, especificamente para pintar, escrever e fotografar. Eu dizia que não tinha vontade de fotografar mais, que as vezes, quando pegava a câmera fotográfica na mão, tinha até um sentimento de repulsa. Sem explicação. Contraditoriamente, eu estava em paz com a escrita e cheio de ideias e com vontade de escrever. Até no gênero do poema tenho me aventurado, algo que eu havia esquecido por completo. Mas fui dormir com a sensação de que algo não estava certo.
No dia seguinte, fui olhar as publicações no blog. Percebi que a frequência com que tenho publicado não esta correspondente com o tamanho da inspiração que tenho vivenciado. Não vou dizer que tenho escrito com menos frequência do que a almejada por falta de inspiração. Após duas semanas trabalhando no Dublin Contemporary (exposição de arte contemporânea em Dublin), as ideias brotam uma atrás da outra. A frequência com que tenho assistidos a filmes no cinema também contribuem para que a safra de ideias seja boa.
Na semana passada por exemplo, enquanto espera para assistir um filme, fiz uma lista de ideias para futuros textos, naqueles vinte minutos surgiram mais de vinte diferentes ideias. O problema é que os textos não foram escritos.Fui dormir com a dúvida e comecei a semana com ela. Por que mesmo com a inspiração os textos não ganham vida no papel, da mesma maneira que amadurecem em minha mente? Por que os textos não nascem? Será que não estão maduros suficientes ou trata-se de uma questão psicológica, uma reação inconsciente?
terça-feira, 1 de novembro de 2011
Finalmente Halloween

Quando eu era criança lá em barbacena. A frase ficou famosa na Escolhinha do Professor Raimundo, repetida inúmeras vezes pelo aluno Joselino Barbacena, personagem interpretado pelo ator Antônio Carlos Pires. A Escolinha o além das lembranças de seus personagens, também me remetem a um período da minha infância.
Lembro que gostava de assitir o programa tomando leite gelado com achocolatado e pão com doce de leite. Ria e muito diante daquela tela quadrada. Álias aquela tela quadrada era um dos programas prediletos das minhas tardes. Eu não podia sair para brincar com os meninos na rua, então fica entertido com ela. A caixinha preta remete-me também a outras lembranças,
Uma dessa lembranças diz respeito ao dia das bruxas. Eu assistia aqueles filmes americanos; as crianças fantasiadas com a famosa frase, doces ou travessuras? Quando apareciam filmes assim, eu ficava todo deslumbrado e encantado esperando o dias das bruxas, para eu me fantasiar de Frankenstein ou de Dracula e sair pela vizinha pedindo por doces. Esperei, esperei e esperei e um dia parei de esperar.
Eu não sabia que no Brasil não tínhamos a tradição do Halloween, que eu não iria ter um dia para me fantasiar e sair a rua. O tempo passou e veio as festas as fantasias; no últimos anos, inclusive há um movimento em algumas escolas brasileiras para realizar atividades de dias das bruxas com base na cultura anglo-saxônica, mas nós ainda não temos o nosso Halloween. E hoje, mais crescido eu até entendo isso e acho que não precisamos copiar todos os eventos culturais dos outros países.

Por outro lado, confesso que sempre tive vontade de sair a rua fantasiado e brincar com as outras pessoas que também estavam fantasiados. Brincar por brincar. Então nesse ano, quando percebi que na Irlanda nós temos sim a tradição do Halloween fiquei todo empolgado, louco pra ter dinheiro pra me fantasiar porque eu não queria deixar para o ano que vem algo que a minha criança queria há tanto tempo. Eu ia nem que fosse de Super papelão. :-)
Não foi necessário, fui de uma mistura de Vampiro e Ozzy Osbourne. E sem que eu percebesse eu tava vivendo aquilo que via nos filmes americanos, claro que ao invés de doces, tínhamos a cerveja e ao invés de travessura... bem deixa pra lá.
segunda-feira, 24 de outubro de 2011
Uma ideia com Bukowski
Oral bolas não era um poeta como o Yeats, mas vai lá o Bukowski saber ser especial também. Há um que de fracassado que me atrai; aquela descrição podres de lugares imundos; aquele submundo sem cor de uma verdade que dói e nem por isso sem poesia. Sai da biblioteca com ele e na fila do supermercado, nem pensei duas vezes, abri o livro e comecei a ler o "novos poemas - livro 2".
Só conhecia o Bukowski dos contos e de romance, mas nesse primeiro contato com a poesia dele, penso que ele consegue ser ainda mais humano escrevendo poesia; eu disse fracassado acima, mas acho que não é isso; é que com Bukowski a vida é o que ela é, um dia após outro, alguns momentos bons outros nem tantos; mas e daí que você queria ser presidente da república e virou professor. Ninguém mandou estudar.
O fato é que para o Bukowski tanto faz se você é um cara rico ou um cara fudido, tudo é a mesma m* mesmo e ele não esta nem ai, desde que ainda tenha vinho ou cerveja para beber.
segunda-feira, 17 de outubro de 2011
Dos brinquedos de criança
As vezes, os brinquedos podem ser um pouquinho mais caro, como é o caso do meu Ipod. Fiquei um tempo namorando ele e ainda mantemos um relacionamento sério. Eu lhe dou atenção e mantemos a convivência numa boa. De vez em quando, até baixo um novo aplicativo para dar aquela apimentada na relação e sentir aquela paixão do começo. Podem rir, eu me divirto com essas coisas mesmo.
Crescemos, mas acho que aquela criança ainda reside na gente. E, no meu caso, acho tão triste quando olho para mim e não a vejo, não a encontro. Confesso que eu realmente gosto do meu lado menino, do meu lado muleque; é que esse lado não precisa de muita coisa, se encanta com pouco.
Há algumas, por exemplo, eu decide fazer algo que há muito tempo estava com vontade: abandonar o Windows. Pensei em usar por um tempo os dois sistemas operacionais: windows e linux. Fui pedir algumas dicas para um amigo e ele me disse, se você quer usar o Linux tira fora o windows de uma vez porque senão você nunca vai usá-lo. Tomei coragem, fiz o backup e dei adeus ao windows. Racionalmente falando trata-se de usar um novo programa de computador, mas isso me fez tão bem, fiquei tão feliz que foi como se eu tivesse ganhado um novo computador. Contei a minha "proeza" para algumas pessoas e provavelmente a maioria não entendeu nada porque era papo de nerd, mas não liguei. Sabia que isso tinha um outro significado para mim. Eu tinha feito uma mudança e estava feliz com ela.
Acho que olhei com os olhos de criança para essa experiência e isso me encheu de alegria porque o racional, aquilo que estudamos tanto para entender, para classificar, para explicar só nos enche de alegria quando o entendemos por completo, em toda a sua beleza; quando percebemos que montamos um quebra-cabeça gigante e entendemos o significado de cada peça. Nesse aspecto, penso que há uma diferença de um adulto e de uma criança quando termina um quebra-cabeça. Creio que o primeiro entendeu, aprendeu e compreendeu todo os esforço necessário para que aquela última peça fosse completada; já a criança, ela não sabe explicar, mas no inicio era tudo dificil, mas mesmo assim ela conseguiu. Ela não entende como e nem porque, mas ela se encanta ao ver o quadro agora completo; ela não sabe explicar, mas fica satisfeita pelo que sente. E claro, vai logo bagunçar para começar de novo.Sempre quando falo desse meu EU, desse meu lado criança, lembro de uma cena do filme Duas Vidas, em que a mocinha se encanta toda com a Lua, linda, esplendosa, dislumbrante e ele (o mocinho) destrói toda a beleza com as palavras heruditas e racionais que só um adulto experiente é capaz de dizer. Detesto aquele adulto, por isso me esforço para manter a minha criança viva.
Lembro que há pouco mais de um ano, eu não conseguia olhar para a lua e olha-lá com esses olhos de crianças. Sentia falta disso e aindo sinto falta, mas agora tenho os meus momentos. Momentos que dão uma alegria que nem sei explicar. É o caso do Linux, eu não sei explicar, mas nesse momento estou encantando com a minha nova maneira de usar o computador.
domingo, 9 de outubro de 2011
Carta do Hélio: conselhos sobre medo e o tempo
Dos livros que trouxe na mochila, nenhum deles fazia parte dos livros de literatura que eu mais gostava. No momento, fiz um esforço tremendo para deixá-los no Brasi. Busquei ser prático, trouxe apenas alguns livros de inglês, guias de viagem e de fotografia. Os livros de literatura, após a chegada em Dublin seria da literatura irlandesa, britânica ou americana. Seria livros em inglês.
No entanto, trouxe um que, embora não fosse um guia de viagem, narrava uma jornada incrível. Por um motivo ou por outro, resolvi trazer esse livro comigo. Trata-se do Paratii: entre dois pólos, livro de Amyr Klink relatando as duas viagens: uma referente a que ele realizou até o sul da Antártica; a outra, é a da construção do Paratti. A forma narrativa em que o Amyr contas as suas aventuras me encantam tanto. Ficou motivado e tentado a construir um barco e viajar por esse mundo. Bem, há outras formas de viajar. E uma delas é através da leitura.
O livro é maravilhoso, cheio de encantos e de passagens inesqueciveis. E de uma sabedoria mundana ou seria humana, que assusta de tão simples. Além disso é inspirador. Para quem já viajou, se vê nas aventuras do Amyr, com os medos, as surpresas que uma viagem nos reserva; para que sonha em viajar, encontra a coragem para correr atrás do seu sonho. Eu já tinha começado o meu sonho, quando terminei de ler o livro. Foi o meu grande companheiro nas horas de "ansiedade". Terminei de ler o Paratti no escritório da imigração irlandesa, enquanto esperava a resposta sobre o meu visto para estudar um ano em solos irlandês.
Mas voltemos ao livro. Tem uma parte dele que me encanta mais do que as outras, curiosamente não foi escrita pelo Amyr e sim por um amigo seu chamado Hélio. Na carta, o Hélio pede desculpas ao Amyr por chamá-lo de amigo. Ele explica que "apesar de bastante termos conversado, e sempre, de minha parte pelo menos, sentindo uma grande empatia, não cheguei na sua intimidade", mas como se conhecem e compartilham coisas resolveu chama-lo assim. O Hélio tentar dar alguns conselhos para o Amyr. Li a carta como se eu fosse o destinatário, e talvez por isso eu tenhta tanta estima por ela. Vez que outra ainda a releio, pois é uma vonta de inspiração para mim. A começar pelo nome do Blog. Enquanto o Hélio explica porque resolveu chamar o Amyr de amigo ele conclui com o seguinte trecho: "A vida é infinita, e há muito por viver. Live and Let live. Um dia as coisas acontecem!".
Mas além de inspiração, guardo também um trecho sobre o medo que, no momento tiveram muito significado para mim e que ainda merecem uma crônica ao assunto. O Amyr admitiu em outros livros e entrevistas que sim tem medo. Muitos olham surpreso quando ele admite que tem medo. Penso que só quem tem medo, pode desenvolver a coragem. Aquele que nada teme, ao meu ver, não se trata de um corajoso, é outra coisa, mas não coragem. O meu pensamento sobre medo ainda estava / esta em desenvolvimento, mas as palavras do Hélio atingiram a minha alma, pois ele escreve algo parecido. O Hélio escreve "Medo, meu irmão, a gente passa por isso", fala que o medo é inevitável e para ele o "grande corajoso é aquele que tem plena consciência de seu medo, e, sendo esperto,sabe admnistrá-lo". E conclui, "medo é inevitável e que só quem sabe de si sabe vencê-lo". Tirei dessa frase uma outra reflexão, que as vezes não é o ato de coragem que nos leva a alcançar os nossos sonhos, mas o medo que temos em realiza-los. O medo é tão grande, tão sufocante que nos obriga a recorrermos a coragem e enfrentá-lo.
A outra passagem trata-se do tempo. Por muito tempo, guardei só essa passagem da carta: "Um dia, meu amigo Amir, eu descobri que tinha todo o tempo do mundo. Foi um dia que eu joguei a âncora (...) e me apercebi que ali eu poderia ficar um segundo ou um ano. Foi o dia que eu percebi que era o soberano do meu TEMPO". Até a leitura disso, eu não tinha percebido, que cada um de nós podemos ser os senhores do nosso tempo. É que em linhas gerais, O Hélio diz pro Amyr ficar o tempo que tiver que ficar no mar, que lá não há relógio, cronogramas ou calendários. É ele e o mar. Eu guardei aquilo e tento lembrar-me sempre, porque percebo que cada um é senhor do seu tempo. Se eu precisar de mais tempo para fazer algo ou simplesmente não quiser faze-lo, eu posso. No fundo não há nada que nos obrigue a fazer isso aquilo, além de nós mesmos. Acho mesmo, que nos cobramos muito por tarefas, por tempo; para fazer isso e aquilo, e esquecemos às vezes de parar, como o Hélio sugere. Esquecemos de parar e contemplar o oceano que esta a nossa frente, atrás, ao redor da gente. Podemos fazer isso, desde que a gente se permita, a final somos autor de nossa vida, o personagem principal.
O Hélio escreveu a carta antes do Amyr partir. E no livro o Amyr publica a carta como uma introdução do Paratti. O livro é do Amyr Klink, fantástico, mas para mim o Hélio roubou a cena com essa carta.
quinta-feira, 20 de janeiro de 2011
É dia de caça ou oração para matar leões
Tenho pensado muito em leões ultimamente. Diria até que um mora comigo, aqui dentro, bem perto do coração. Penso em leões como o velho Santiago sonhava com eles, mas há tipos e tipos de dragões. Há aqueles que nos assombram, que ficam nos rodeando esperando para atacar, que antecedem grandes mudanças e nos exigem grande empenho para enfrentá-los.
É nesses últimos que tenho pensado, é nesses últimos que acordei hoje pela manhã e os encarei. Quando olhei para a rua, quano mirei o mundo. Encarei com um novo dia que nasce e só pensava em um frase “que seja doce”. Influência de “más companhias”, fiquei perdido na madrugada em companhia de Caio Fernando Abreu e seus dragões. Sonhei com o peixe de 150kg do Santiago e repito comigo as palavras de C.F.A:
Então, que seja doce. Repito todas as manhãs, ao abrir as janelas para deixar entrar o sol ou o cinza dos dias, bem assim: que seja doce. Quando há sol, e esse sol bate na minha cara amassada do sono ou da insônia, contemplando as partículas de poeira soltas no ar, feito um pequeno universo, repito sete vezes para dar sorte: que seja doce que seja doce que seja doce e assim por diante.
Então eu levanto da cama, espreguiço-me e repito as palavras novamente, abro um sorriso e começo a listar meu dragões, meus leões, meus grandes peixes porque eu sei, que hoje é dia de caça, hoje é mais um dia para matar leões. Eu sei que nesses dias, é preciso levantar a cabeça ter “A mente quieta. A espinha ereta. E o coração tranquilo” e principalmente seguir em frente. De força renovada, olho-me no espelho ganho coragem e encaro o mundo novamente, mas só por precaução eu repito “que seja doce”.










