domingo, 29 de janeiro de 2012
sobre acordar com ressaca sem beber
o problema é que de nada adiantou, a cabeça faiscando de pensamentos e ideias, os olhos vidrados nos seriados americanos e sono desistiu de mim. passava das 5h horas, quando encontrei o sono perdido na madrugada. talvez, os meu sono estivesse perdido nos pubs esperando que eu chegasse, esperando que eu fosse encontrá-lo. nada disso apenas desencontros, como tantos na vida.
acordo desse jeito ressacado sem beber, meio sonolento sem vontade de levantar. por outro lado, meus vícios pularam da cama, tão logo despertei e buscavam nas memórias o gosto da cerveja e as escritas retas dos meu preferidos autores. não, mas dessa vez não com o chato (o saramago é um chato), voltei minhas leituras para algo mais sujo e humano. não nego sou fã dos ver podres e cansados do velho safado. Charles Bukowski.
acordei com uma ressaca sem ter bebido, com uma vontade de viver o que não tenho vivido. enfim, acordei como uma intensidade magnética que quer absorver tudo, daqueles que tem fome e sede de tudo. Vasculhei nas versos tortos e achei um velho conhecido:
I don't know how many bottles of beer
I have consumed while waiting for things
to get better
também não sei, também não tenho resposta para essa indagação, mas sei que amanhã será um novo dia. não vou acordar com ressaca sem ter bebido ou com sono por ter ficado em casa. amanhã vou acordar podre de cansaço e da sujeira do mundo. hoje vou embriagar-me dessa cerveja barata e sujar-me as deliciosas tentações da vida. espero uma única coisa, que meu anjo não esteja de folga.
sexta-feira, 2 de julho de 2010
infância, correria e vinho
Quando eu era criança pensava como qualquer criança, "”quero crescer e virar adulto”, “quero ser gente grande”. Tem suas vantagens, não vou nega-las, mas às vezes bate uma bobeira, um cansaso. Daí nesses momentos, penso com muitos adultos “como é bom ser criança”.
Embora eu acredique não ia adiantar voltar a ser criança. Eu ia querer crescer para fazer o que me desse na telha. Mas por que quando a gente cresce esquecemos disso?
Não tenho resposta, só queria perguntar ao mundo. Sabe, fico me perguntando vez e outra porque não tiro da gaveta aquele projeto, ou consigo tempo para aquele outro.
É estranho pensar que vivemos em uma correria maluca e mal conseguimos parar para respirar, mesmo quando não fazemos nada. São tanto compromissos inadiáveis, que não precisavam serem realizados. O nosso senso de urgênica toma proporções que em termos lógicos não fazem sentido nenhum. Somos simplismente levados pela situação.
Sempre que penso nisso, lembro-me de Focault e a sua ordem do discurso. Concordo com ele, entramos em uma correria, que as coisas acabam acontecendo e nos sujeitamos a eles e esquecemos que somos humanos. É a ausência da subjetividade, mas para romper com isso abrirei um bom vinho e não escreverei mais nada nesta noite.
Carlos Carreiro
