Há quem diga que a distância separa, que atrapalha outros dizem que ela aproxima. Eu gauche, sendo sempre do contra, discordo das duas ou concordo com as duas. Entendam como achar melhor. O que penso mesmo é que a distância separa o joio do trigo. Hoje só vou falar do trigo.
Lembro que uma das coisas que mais ouvi das pessoas, quando tomei a decissão de ficar um período fora do país dizia respeito a saudade. Nas leituras em livros, blogs e grupos de discussão o assunto também estava sempre presente. Saudade existe sim, mas eu acredito que nesses pouco mais de oito meses tenho me saido bem.
É claro que tem dias ruins, alguns piores que os outros; dias que volto da festa e ligo para um amigo ou escrevo aqueles e-mails extensos, tentando compensar no número de palavras a saudade das conversas e do carinhos; ou fico horas “chateando” no messenger ou no facebook. Confesso que as minhas maiores alegrias ocasionadas pelos amigos distantes, se dão na privacidade do e-mail ou das mensagens particulares.
É engraçado que há dias, não sei como, mesmo com um oceano que nos separa, alguns amigos simplesmente adivinham como estou; que nesse dia especifico eu preciso de um abraço virtual, ou um papo mais longo, um tempo juntos. Eles aparecem depois de semanas com uma mensagem no celular, um e-mail, uma mensagem particular ou uma frase no mural.
Eu não quero separar joio do trigo no terreno da amizade, não mesmo, até porque só tenho visto trigo na minha plantação. No meu caso, a distância não separa ou muda os sentimentos, ela tem sido um elemento crucial, juntamente com o tempo, que fortalecem a terra, na qual essas amizades foram cutlivadas. Racionalmente pode ser dificil de entender como a distância tem me aproximado das pessoas, mas emocionalmente as coisas estão claras.


