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segunda-feira, 28 de novembro de 2011

Hoje só vou falar de trigo

Há quem diga que a distância separa, que atrapalha outros dizem que ela aproxima. Eu gauche, sendo sempre do contra, discordo das duas ou concordo com as duas. Entendam como achar melhor. O que penso mesmo é que a distância separa o joio do trigo. Hoje só vou falar do trigo. 

Lembro que uma das coisas que mais ouvi das pessoas, quando tomei a decissão de ficar um período fora do país dizia respeito a saudade. Nas leituras em livros, blogs e grupos de discussão o assunto também estava sempre presente. Saudade existe sim, mas eu acredito que nesses pouco mais de oito meses tenho me saido bem.
É claro que tem dias ruins, alguns piores que os outros; dias que volto da festa e ligo para um amigo ou escrevo aqueles e-mails extensos, tentando compensar no número de palavras a saudade das conversas e do carinhos; ou fico horas “chateando” no messenger ou no facebook. Confesso que as minhas maiores alegrias ocasionadas pelos amigos distantes, se dão na privacidade do e-mail ou das mensagens particulares. 

É engraçado que há dias, não sei como, mesmo com um oceano que nos separa, alguns amigos simplesmente adivinham como estou; que nesse dia especifico eu preciso de um abraço virtual, ou um papo mais longo, um tempo juntos. Eles aparecem depois de semanas com uma mensagem no celular, um e-mail, uma mensagem particular ou uma frase no mural. 

Eu não quero separar joio do trigo no terreno da amizade, não mesmo, até porque só tenho visto trigo na minha plantação. No meu caso, a distância não separa ou muda os sentimentos, ela tem sido um elemento crucial, juntamente com o tempo, que fortalecem a terra, na qual essas amizades foram cutlivadas. Racionalmente pode ser dificil de entender como a distância tem me aproximado das pessoas, mas emocionalmente as coisas estão claras. 

segunda-feira, 17 de outubro de 2011

Dos brinquedos de criança

Não sei se vocês tem dessas, de comprar algo novo e ficar se divertido com a novidade como criança, mas eu tenho.

As vezes, os brinquedos podem ser um pouquinho mais caro, como é o caso do meu Ipod. Fiquei um tempo namorando ele e ainda mantemos um relacionamento sério. Eu lhe dou atenção e mantemos a convivência numa boa. De vez em quando, até baixo um novo aplicativo para dar aquela apimentada na relação e sentir aquela paixão do começo. Podem rir, eu me divirto com essas coisas mesmo.

Crescemos, mas acho que aquela criança ainda reside na gente. E, no meu caso, acho tão triste quando olho para mim e não a vejo, não a encontro. Confesso que eu realmente gosto do meu lado menino, do meu lado muleque; é que esse lado não precisa de muita coisa, se encanta com pouco.

Há algumas, por exemplo, eu decide fazer algo que há muito tempo estava com vontade: abandonar o Windows. Pensei em usar por um tempo os dois sistemas operacionais: windows e linux. Fui pedir algumas dicas para um amigo e ele me disse, se você quer usar o Linux tira fora o windows de uma vez porque senão você nunca vai usá-lo. Tomei coragem, fiz o backup e dei adeus ao windows. Racionalmente falando trata-se de usar um novo programa de computador, mas isso me fez tão bem, fiquei tão feliz que foi como se eu tivesse ganhado um novo computador. Contei a minha "proeza" para algumas pessoas e provavelmente a maioria não entendeu nada porque era papo de nerd, mas não liguei. Sabia que isso tinha um outro significado para mim. Eu tinha feito uma mudança e estava feliz com ela.


Acho que olhei com os olhos de criança para essa experiência e isso me encheu de alegria porque o racional, aquilo que estudamos tanto para entender, para classificar, para explicar só nos enche de alegria quando o entendemos por completo, em toda a sua beleza; quando percebemos que montamos um quebra-cabeça gigante e entendemos o significado de cada peça. Nesse aspecto, penso que há uma  diferença de um adulto e de uma criança quando termina um quebra-cabeça. Creio que o primeiro entendeu, aprendeu e compreendeu todo os esforço necessário para que aquela última peça fosse completada; já a criança, ela não sabe explicar, mas no inicio era tudo dificil, mas mesmo assim ela conseguiu. Ela não entende como e nem porque, mas ela se encanta ao ver o quadro agora completo; ela não sabe explicar, mas fica satisfeita pelo que sente. E claro, vai logo bagunçar para começar de novo.

Sempre quando falo desse meu EU, desse meu lado criança, lembro de uma cena do filme Duas Vidas, em que a mocinha se encanta toda com a Lua, linda, esplendosa, dislumbrante e ele (o mocinho) destrói toda a beleza com as palavras heruditas e racionais que só um adulto experiente é capaz de dizer. Detesto aquele adulto, por isso me esforço para manter a minha criança viva.

Lembro que há pouco mais de um ano, eu não conseguia olhar para a lua e olha-lá com esses olhos de crianças. Sentia falta disso e aindo sinto falta, mas agora tenho os meus momentos. Momentos que dão uma alegria que nem sei explicar. É o caso do Linux, eu não sei explicar, mas nesse momento estou encantando com a minha nova maneira de usar o computador.

quinta-feira, 2 de abril de 2009

Filosofia, hoje não

Por favor, filosofia de bar hoje não; papo cabeça? Não, obrigado, também não estou a fim.

Há dias em que parece que estamos cansados de tudo, de todos, do mundo. Não, não é aquela historia de que "o mundo me odeia, eu odeio o mundo, que ninguém gosta de mim e que tenho pena de mim". Não, não é disso que estou me referindo. É mais para o estilo, "estou realmente cansado e preciso dar um tempo". Lembra aquela música do Raulzito? É aquela mesma "para o mundo que eu quero descer". É mais ou menos disso que estou falando. É um cansaço.

Mesmo cansado, e no meio desse texto, me pergunto se escrever também não é filosofar. Tem gente (Adorno, Benjamim e outros estudiosos da cultura e da arte) que se referem a produção escrita, espeficamente a literatura, mas em geral o ato de escrever como sendo a arte mais intelectual que existe, e que, portanto exige mais reflexão. Nesse sentido até pode ser filosofia, mas é uma filosofia do eu para mim. Tudo bem, eu sei que o mundo terá acesso e então será do eu para o mundo, mas no momento em que escrevo, na solidão, estou apenas comigo mesmo. E nesse momento meu é que surgem as primeiras letras, caracteres na superficie; é quase como ato de dar a luz, mas neste caso, é no sentido de produção de algo.

Produzir é criar, fazer uma transformação de algo em uma outra coisa. Nessa linha de criação, de produção do texto, do post, o cansaço meio que fica de lado. O o sentimento é mais de paz, de alivio. Daí percebo outra coisa, que eu não estava cansado do mundo, das pessoas, da filosofia barata, do pagode, do funk, do lugar comum... Tá estava/estou, mas no caso o que me desanimava não era efetivamente o mundo e algumas expressões presentes nele. Isso era apenas a ponta de algo maior, uma carência de alguma coisa, uma saudade de alguém que no meio dessa confusão eu acabo me afastando. O cansaço do mundo, das pessoas era apenas saudade de mim, de estar comigo, da falta de ter um tempo para mim.

Quando comecei a escrever, parei o mundo, então percebi que era saudade de mim, saudade de estar com as minhas ideias soltas, dos sonhos, dos devaneios, sem julgamento, sem confusão. Só eu com meu ser. Por isso, que hoje, filosofia de bar não, eu só quero mesmo relaxar, um pouco de reflexão solitaria, alguma escrita e muito eu.

Carlos Carreiro

sexta-feira, 20 de março de 2009

Os tomadeiros

Estou pensando seriamente em criar uma nova comunidade. Sim, porque hoje para tudo criamos comunidade. Penso mesmo que estamos viciados em comunidades, há comunidades para tudo. Mas não posso desviar do meu foco, só pensei em cria-lá porque estava correndo pelo aeroporto de Congonhas em busca de uma tomada. A nova comunidade seria algo do tipo: preciso de uma tomada para o notebook, ou estou sem batéria, talvez pelo amor de deus a bateria esta acabando!!!. Ainda não decidi o nome, mas seria interessante.

Pense bem, se seu estivesse precisando de uma tomada, entraria na comunidade e escreveria alguém que esteja no aeroporto de congonhas sabe onde tem uma tomada onde eu possa carregar o meu note...E alguns minutos depois, segundo antes da bateria ir pro brejo... Shazan, a resposta de alguém dizendo que poderia usar a sua e me indicando a sua localização.

Acho que haveria alguns seguidores. Esses dias mesmo passei por um sufoco parecido, quando estava no Web ExpoForum. E e mais umas 4 pessoas, desesperados por tomadas. Foi engraçado porque naquele lugar com aquelas pessoas, comecamos nos ajudar e compartilhar as tomadas. No outro dia o mesmo grupo estava lá novamente. Nem precisamos falar nada, sabíamos intimamente, que estávamos a guardar o lugar (tomada) para um dos nossos, aquele canto da platéia já estava dominado, era o canto das pessoas que queriam uma tomada. Acho até que alguns, já nos olhavam atravessados e pensavam lá vão aqueles, o tomadeiros.

Infelizmente o evento terminou e não tivemos tempo para nos organizarmos socialmente na internet, mas devido ao novo sufoco hoje creio que não faltará oportunidades para nós, os tomadeiros, nos juntarmos em prol de tomadas para os nossos companheiros. Talvez, até ja exista uma comunidades, vou perguntar por ai... Mas senão existir, voltarei aqui e direi (escreverei) tomadeiros de todo o mundo, uni-vos !!!

Vou correr senão perco o avião.

Abraços,
Carlos Carreiro

sexta-feira, 8 de abril de 2005

Ser inteligente

É comum entre muitas pessoas uma irritação com a “burrice” alheia, e aos berros se indignarem “Como pode ser tão burro”, “Eu não acredito que exista gente assim”, entre tantas outras expressões que ridicularizam toda uma condição humana. Quando chamamos alguém de burro queremos atingir, principalmente, a sua inteligência intelectual. Sendo assim tentamos comparar o individuo a um animal irracional. Eu só não sei se a falta de capacidade intelectual faltou ao receptou ao emissor, uma vez que inteligência também é a capacidade que temos de pensar, de compreender; capacidade de resolução de novos problemas e de adaptação a novas situações.

Nas artes, principalmente, nas obras contemporâneas é comum haver o questionamento se de fato a obra é uma arte, se rap é música, se um clipes é uma forma de expressão artística. Muito dos problemas causados na recepção da obra de arte é ocasionada pela carência de educação artística em nossa formação, essa mesma carência atinge os relacionamentos que temos com as pessoas. Com uma mente fechada quando encontramos uma nova forma de expressão a primeira reação é negá-la, criticá-la, mais pela nossa falta de entendimento e aceitação do que pelas qualidades estéticas da nova forma. No relacionamento interpessoal ocorre algo semelhante, quando não conseguimos entender como uma pessoa não entende o que estamos falando, e sem tentar explicar saímos xingando e deixamos a pessoa apavorada e sentindo-se o ser humano mais imbecil do mundo. Há um consolo, isso acontece com todo mundo, mas não deveria... Ser inteligente não significa saber tudo de tudo, mas sim ter a capacidade de aprender coisas novas, de compreender. Acredito que acima de tudo inteligência seja a capacidade que temos de nos mantermos vivos.

A planta quando esta sem sol, se contorce, busca a luz necessária para a sua sobrevivência; os cachorros que não sabem ler nem entende de legislação de transito, sempre olham para os lados antes de atravessar as ruas, de alguma maneira eles sabem que se o carro atingi-los algo de ruim vai acontecer. Na década de 50, nos Estados Unidos, B.F Skinner criava teorias do comportamento que ficou conhecida como Behaviorismo e tinha a tese de que todo o comportamento poderia ser condicionado, com os animais isso funcionava muito bem. A luz do sol era um estimulo que condicionava plantas a buscarem a luz solar. As experiências de Skinner eram o maior sucesso e ajudou muito o exército norte-americano no desenvolvimento de novas formas de ensino de idiomas, o que facilitou o aprendizado de maneira mais rápida e eficiente. Só que houve um problema nos estudos de Skinner, ratos e cobaias de laboratório conseguiam aprender por meio de estímulos mas não conseguiam aprender. Os animais irracionais de um modo geral não são burros porque não tem a capacidade de aprender, mas principalmente porque não conseguem criar coisas novas.

Não precisamos perder a paciência quando alguém não entender o que estamos dizendo, ou perdermos a paciência conosco quando não entendermos o outro. Temos que lembrar que ser inteligente é ter a capacidade de pensar, entender e aprender o que não entendemos, melhorando a nossa vida e os relacionamentos com as pessoas que amamos.