segunda-feira, 17 de outubro de 2011

Dos brinquedos de criança

Não sei se vocês tem dessas, de comprar algo novo e ficar se divertido com a novidade como criança, mas eu tenho.

As vezes, os brinquedos podem ser um pouquinho mais caro, como é o caso do meu Ipod. Fiquei um tempo namorando ele e ainda mantemos um relacionamento sério. Eu lhe dou atenção e mantemos a convivência numa boa. De vez em quando, até baixo um novo aplicativo para dar aquela apimentada na relação e sentir aquela paixão do começo. Podem rir, eu me divirto com essas coisas mesmo.

Crescemos, mas acho que aquela criança ainda reside na gente. E, no meu caso, acho tão triste quando olho para mim e não a vejo, não a encontro. Confesso que eu realmente gosto do meu lado menino, do meu lado muleque; é que esse lado não precisa de muita coisa, se encanta com pouco.

Há algumas, por exemplo, eu decide fazer algo que há muito tempo estava com vontade: abandonar o Windows. Pensei em usar por um tempo os dois sistemas operacionais: windows e linux. Fui pedir algumas dicas para um amigo e ele me disse, se você quer usar o Linux tira fora o windows de uma vez porque senão você nunca vai usá-lo. Tomei coragem, fiz o backup e dei adeus ao windows. Racionalmente falando trata-se de usar um novo programa de computador, mas isso me fez tão bem, fiquei tão feliz que foi como se eu tivesse ganhado um novo computador. Contei a minha "proeza" para algumas pessoas e provavelmente a maioria não entendeu nada porque era papo de nerd, mas não liguei. Sabia que isso tinha um outro significado para mim. Eu tinha feito uma mudança e estava feliz com ela.


Acho que olhei com os olhos de criança para essa experiência e isso me encheu de alegria porque o racional, aquilo que estudamos tanto para entender, para classificar, para explicar só nos enche de alegria quando o entendemos por completo, em toda a sua beleza; quando percebemos que montamos um quebra-cabeça gigante e entendemos o significado de cada peça. Nesse aspecto, penso que há uma  diferença de um adulto e de uma criança quando termina um quebra-cabeça. Creio que o primeiro entendeu, aprendeu e compreendeu todo os esforço necessário para que aquela última peça fosse completada; já a criança, ela não sabe explicar, mas no inicio era tudo dificil, mas mesmo assim ela conseguiu. Ela não entende como e nem porque, mas ela se encanta ao ver o quadro agora completo; ela não sabe explicar, mas fica satisfeita pelo que sente. E claro, vai logo bagunçar para começar de novo.

Sempre quando falo desse meu EU, desse meu lado criança, lembro de uma cena do filme Duas Vidas, em que a mocinha se encanta toda com a Lua, linda, esplendosa, dislumbrante e ele (o mocinho) destrói toda a beleza com as palavras heruditas e racionais que só um adulto experiente é capaz de dizer. Detesto aquele adulto, por isso me esforço para manter a minha criança viva.

Lembro que há pouco mais de um ano, eu não conseguia olhar para a lua e olha-lá com esses olhos de crianças. Sentia falta disso e aindo sinto falta, mas agora tenho os meus momentos. Momentos que dão uma alegria que nem sei explicar. É o caso do Linux, eu não sei explicar, mas nesse momento estou encantando com a minha nova maneira de usar o computador.

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