Por favor, filosofia de bar hoje não; papo cabeça? Não, obrigado, também não estou a fim.
Há dias em que parece que estamos cansados de tudo, de todos, do mundo. Não, não é aquela historia de que "o mundo me odeia, eu odeio o mundo, que ninguém gosta de mim e que tenho pena de mim". Não, não é disso que estou me referindo. É mais para o estilo, "estou realmente cansado e preciso dar um tempo". Lembra aquela música do Raulzito? É aquela mesma "para o mundo que eu quero descer". É mais ou menos disso que estou falando. É um cansaço.
Mesmo cansado, e no meio desse texto, me pergunto se escrever também não é filosofar. Tem gente (Adorno, Benjamim e outros estudiosos da cultura e da arte) que se referem a produção escrita, espeficamente a literatura, mas em geral o ato de escrever como sendo a arte mais intelectual que existe, e que, portanto exige mais reflexão. Nesse sentido até pode ser filosofia, mas é uma filosofia do eu para mim. Tudo bem, eu sei que o mundo terá acesso e então será do eu para o mundo, mas no momento em que escrevo, na solidão, estou apenas comigo mesmo. E nesse momento meu é que surgem as primeiras letras, caracteres na superficie; é quase como ato de dar a luz, mas neste caso, é no sentido de produção de algo.
Produzir é criar, fazer uma transformação de algo em uma outra coisa. Nessa linha de criação, de produção do texto, do post, o cansaço meio que fica de lado. O o sentimento é mais de paz, de alivio. Daí percebo outra coisa, que eu não estava cansado do mundo, das pessoas, da filosofia barata, do pagode, do funk, do lugar comum... Tá estava/estou, mas no caso o que me desanimava não era efetivamente o mundo e algumas expressões presentes nele. Isso era apenas a ponta de algo maior, uma carência de alguma coisa, uma saudade de alguém que no meio dessa confusão eu acabo me afastando. O cansaço do mundo, das pessoas era apenas saudade de mim, de estar comigo, da falta de ter um tempo para mim.
Quando comecei a escrever, parei o mundo, então percebi que era saudade de mim, saudade de estar com as minhas ideias soltas, dos sonhos, dos devaneios, sem julgamento, sem confusão. Só eu com meu ser. Por isso, que hoje, filosofia de bar não, eu só quero mesmo relaxar, um pouco de reflexão solitaria, alguma escrita e muito eu.
Carlos Carreiro

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