Assisti ao video How to be alone da Andrea Dorfman baseado em um poema de Tanya Davis. Foi inevitável para mim não pensar em viagens. É que foi viajando que percebi pela primeira vez a minha condição de solidão. Isso é triste e assustador, realmente foi o que eu pensei no começo. Já tinha ficado outras vezes sozinho, mas quando você se vê longe daquilo que você se acosutmou a chamar de casa, de lar e sem o apoio da família, dos amigos, das pessoas que você ama, a solidão te assusta ainda mais. Com o tempo você se acostuma, mesmo eu que me vejo como um gauche, também me acostumei a ela, digo que até gostava da sua presença. Ainda sim achava triste.
Mas eis que surge uma nova viagem. Nessa viagem eu comecei a olhar a solidão e a percebe-la de uma maneira diferente; passei a aceitá-la como parte de mim. Lembro que em um determinado momento, em um museu, eu estava feliz por estar só. Não, não é sinal de depressão é que eu sou chato para algumas coisas. Tem obras, tem quadros, que eu quero parar e ficar em frente, apenas conversando com eles, tentando entender o diálogo com outras obras, com a sua época, seu gritos. Eu simplesmente não consigo fazer isso acompanhado, assim como não vejo graça em ir a uma série de lugares sozinho. A vida está recheada de momentos inspiradores, o que podemos fazer é nos permitir.
E a solidão? Bem como diz o poema da Tanya, “Se você estiver feliz consigo mesma, a solidão é abençoada e o silêncio é OK”. A solidão tem o seu lado renovador, se deixarmos ela nos ajudará a nos encontrar a ver o que há dentro da gente, nos permite recriar a nós mesmos, nos permite um auto-amor. Não defendo uma vida de solidão, mas os momentos sozinhos, hoje eu os crio, é quando eu me renovo, quando posso criar e me reiventar. Viagens são boas para isso e começo a perceber que esse é o meu caminho. Mas vou parar o post por aqui. Deixo vocês com esse lindo video. Valeu pela dica Bia.
aceitei a minha condição de ser sozinho,
Mostrando postagens com marcador pensamento. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador pensamento. Mostrar todas as postagens
domingo, 28 de novembro de 2010
terça-feira, 16 de novembro de 2010
Na dúvida siga em frente
No sábado passado, lembro de ter planejado-o com inicio, meio e fim. Ia arrumar a casa pela manhã, feira do livro com uma amiga a tarde, e um teatro a noite. Fiquei de encontrar algumas pessoas, mas simplesmente os planos foram pelo ralo. Eu acabei dormindo mal de sexta para sábado. Pela manhã, quando acordei, peguei as minhas coisas e fui para casa do pai, visitá-lo. Almoçamos e já preparado para encontrar uma amiga no centro, o primeiro imprevisto, ela não poderia ir; mas fui ao centro, pois um amigo precisava conversar comigo. Os encaixes foram feitos. Durante a noite, eu já tinha programado um teatro, mas outros imprevistos impediram que os meus acompanhantes fossem juntos. Indignado, fui sozinho: cheguei tarde no teatro e não pude assistir a peça. É isso que dar, querer lutar contra algumas coisas. Para compensar o teatro fui ao cinema.
Eu tentara, em vão, ter algum controle sobre as ações e acontecimentos que não eram os meus. No geral o sábado foi bem diferente do que eu havia planejado, mas foi um sábado bem intenso. Revi uma grande amiga, que me fez pensar no rumo que estou dando para a minha vida. Como disse foi um sábado bem diferente do que eu havia previsto, mas esse diferente não se trata de ser bom ou ruim: ele é apenas diferente.
Lembro desse sábado porque sou daqueles que ter um plano e um objetivo é fundamental. Faço um planejamento da minha vida, das minhas viagens, mas ao contrário do que muitos pensam: planejar não significa ter quer andar engessado e não mudar. Ao meu ver planejar significar olhar para a estrada lá na frente e perceber que cada passo que se dá hoje é um avanço onde se quer chegar. E que muitas vezes se fará necessário pegar outro caminho, tomar novas decisões, mas olhar para aquilo lá na frente e seguir é o essencial.
Meu sábado não foi conforme o planejado, mas no final conversei com meus amigos, tive meu momento cultural. E talvez o melhor, pude perceber que as vezes, as coisas não dão certo mesmo e que não há o que a gente possa fazer. Mas nem por isso precisamos nos abater. As vezes a vida não é do jeito que esperamos. Ela vai nos dar uma rasteira. Acontece quando perdemos aquele grande amor, saímos de um bom emprego, perdemos alguém querido ou simplesmente quando os planos de um sábado mudam sem que a gente queira. Nesses momentos gosto de lembrar de um trecho da composição do Walter Franco, o qual transcrevo abaixo: Tudo é uma questão de manter a mente quieta, a espinha ereta e o coração tranquilo.
Boa semana a todos.
Meu sábado não foi conforme o planejado, mas no final conversei com meus amigos, tive meu momento cultural. E talvez o melhor, pude perceber que as vezes, as coisas não dão certo mesmo e que não há o que a gente possa fazer. Mas nem por isso precisamos nos abater. As vezes a vida não é do jeito que esperamos. Ela vai nos dar uma rasteira. Acontece quando perdemos aquele grande amor, saímos de um bom emprego, perdemos alguém querido ou simplesmente quando os planos de um sábado mudam sem que a gente queira. Nesses momentos gosto de lembrar de um trecho da composição do Walter Franco, o qual transcrevo abaixo: Tudo é uma questão de manter a mente quieta, a espinha ereta e o coração tranquilo.
Boa semana a todos.
segunda-feira, 1 de novembro de 2010
Meus domingos
Queria ter escrito um texto sobre o domingo na semana passada, mas não rolou, ficou para este. Era algo sobre as coisas simples que fazemos. As coisas que deixam a gente mais leve. Hoje peguei-me a pensar novamente sobre essas coisas.
Embora meu domingo, não tenha sido tão simples ou planejado: almoço com o pai e a familia, susto no médico e leitura no parque. Depois uma boa dose de conversa com os amigos, isso sim é especial.
Confesso que a leitura no parque foi muito significativa. Estar em companhia de Guimarães Rosa, me fez viajar pelos sertões, por uma atmosfera sofrida e, ao mesmo tempo, alegre. Acho que é a simplicidade das coisas dos personagens de Guimarães que levaram-me a pensar nessa alegria das pequenas coisas.
No inicio da obra, um ex-jagunço, conversa sobre assuntos da vida, deus e o diabo, o bem e o mal. Percebe-se uma vida difícil, cheia de infortúnios, mas ao mesmo tempo é uma simplicidade que faz com que os momentos felizes seja mais lembrados que os outros. Ou cria-se artimanhas para burlar o destino, as vezes, até deus. Esse ex-jagunço por exemplo, encomendava rezas para diferentes senhoras com o intuito de garantir créditos para dia do juízo final. Dessa maneira, ele podia viver tranquilo a sua vida.
É dessas coisas e artimanhas simples que tenho buscado rechear os meus domingos. É que no geral, os domingos são chatos. É o dia que antecede a segunda-feira, para inicio de conversa, além disso é o dia que a solidão mais incomoda. Como não quero mais perder tempo com ela, contrato as minhas rezadeiras: cerco-me de amigos, de leituras e de escritos.
Penso que assim, faço um conjunto de coisas simples que me deixam feliz e quando percebo o domingo já se foi. E sem me dar conta, tive um dia feliz.
Embora meu domingo, não tenha sido tão simples ou planejado: almoço com o pai e a familia, susto no médico e leitura no parque. Depois uma boa dose de conversa com os amigos, isso sim é especial.
Confesso que a leitura no parque foi muito significativa. Estar em companhia de Guimarães Rosa, me fez viajar pelos sertões, por uma atmosfera sofrida e, ao mesmo tempo, alegre. Acho que é a simplicidade das coisas dos personagens de Guimarães que levaram-me a pensar nessa alegria das pequenas coisas.
No inicio da obra, um ex-jagunço, conversa sobre assuntos da vida, deus e o diabo, o bem e o mal. Percebe-se uma vida difícil, cheia de infortúnios, mas ao mesmo tempo é uma simplicidade que faz com que os momentos felizes seja mais lembrados que os outros. Ou cria-se artimanhas para burlar o destino, as vezes, até deus. Esse ex-jagunço por exemplo, encomendava rezas para diferentes senhoras com o intuito de garantir créditos para dia do juízo final. Dessa maneira, ele podia viver tranquilo a sua vida.
É dessas coisas e artimanhas simples que tenho buscado rechear os meus domingos. É que no geral, os domingos são chatos. É o dia que antecede a segunda-feira, para inicio de conversa, além disso é o dia que a solidão mais incomoda. Como não quero mais perder tempo com ela, contrato as minhas rezadeiras: cerco-me de amigos, de leituras e de escritos.
Penso que assim, faço um conjunto de coisas simples que me deixam feliz e quando percebo o domingo já se foi. E sem me dar conta, tive um dia feliz.
sexta-feira, 29 de outubro de 2010
É só parecer, É só tentar novamente
Teu sorriso lindo parece aumentar o tamanho do meu peito. Algo infla aqui dentro como aquele balão enorme que deu a volta ao mundo. Faz de conta que acredita e diz que também sente algo. Faz de conta que tudo é brincadeira e vem ser feliz, tomar banho de chuva como criança. Parece mas não é difícil. É só parecer que somos felizes. É só tentar novamente.
Levanta o rosto e mostra o teu sorriso. Abre bem os olhos e deixa que o mundo passe por eles. Então abraça a vida e recomeça. Fracasso não é derrota. Fracasso é apenas uma tentativa que não deu certo, é o jeito de fazer algo que se queria diferente. Parece mas não é difícil. É só parecer que somos felizes. É só tentar novamente.
E, de repente, um dia, quase sem querer, de tanto tentar, de tanto parecer, você então será surpreendido ao olhar um sorriso, um olho brilhante e perceber que é feliz.
Levanta o rosto e mostra o teu sorriso. Abre bem os olhos e deixa que o mundo passe por eles. Então abraça a vida e recomeça. Fracasso não é derrota. Fracasso é apenas uma tentativa que não deu certo, é o jeito de fazer algo que se queria diferente. Parece mas não é difícil. É só parecer que somos felizes. É só tentar novamente.
E, de repente, um dia, quase sem querer, de tanto tentar, de tanto parecer, você então será surpreendido ao olhar um sorriso, um olho brilhante e perceber que é feliz.
quinta-feira, 28 de outubro de 2010
Uma nova chance para Feira do Livro
Passei pela praça da Alfândega essa semana. Fiquei muito feliz em perceber que já esta quase tudo pronto para a 56a Feira do Livro de Porto Alegre. A Feira acontecerá de 29 de outubro a 15 de novembro, diariamente das 9h30min (área infantil) e 12h30min (área adulta) até as 21h. Vendo os preparativos fui tocado por um sentimento não previsto.
Senti uma saudade e uma vontade de estar entre os livros, passeando no meio da feira. Não sei porque essa nostalgia repentina com a Feira, pois há anos que não tenho mais encanto infantil que tinha das primeiras vezes que a visitara.
Lembro que no começo, eu esperava ansiosamente para que chegasse outubro e eu pudesse viajar pelas bancas de saldos a procura de livros interessantes. Já era adulto, mas sentia-me um menino. Na verdade eu era um explorador em busca do tesouro escondido ou dos tesouros escondidos. Voltava para casa com a mochila cheia. O peso nem me importava, só a vontade de descobri-los um a um.
Pode parecer bobo, uma bobagem para alguns, mas vou dar uma nova chance para a Feira do Livro. Decidi que nesse ano entrarei com o coração aberto na feira. Buscarei um livro, aquele com o qual eu sempre eu sonhei, talvez um livro raro, talvez o livro de kells. Não importa muito, só quero neste matar uma nostalgia que venho tendo da feira. Vou me permitir trilhar por entrei as bancas, rever os amigos, cultivar a cultura, jogar conversa fora e descobrir em meio a um Machado ou um Guimarães, aquele livro esquecido daquele autor que nunca é lembrado, mas que alegra tanto leitores curiosos.
Te vejo na feira.
Abraços,
Carlos Carreiro
domingo, 24 de outubro de 2010
É preciso vencer esse encaramujamento
Comecei a ler O Encontro Marcado esses dias e desde então estou para postar a "epígrafe" do livro. Hoje resolvi faze-lo:
“O homem, quando jovem, é só, apesar de suas múltiplas experiências. Ele pretende, nessa época, conformar a realidade com suas mãos, servindo-se dela, pois acredita que, ganhando o mundo, conseguirá ganhar-se a si próprio. Acontece, entretanto, que nascemos para o encontro com o outro, e não o seu domínio. Encontrá-lo é perdê-lo, é contemplá-lo na sua libérrima existência, é respeitá-lo e amá-lo na sua total e gratuita inutilidade. O começo da sabedoria consiste em perceber que temos e teremos as mãos vazias, na medida em que tenhamos ganho ou pretendamos ganhar o mundo. Neste momento, a solidão nos atravessa como um dardo. É meio-dia em nossa vida, e a face do outro nos contempla como um enigma. Feliz daquele que, ao meio-dia, se percebe em plena treva, pobre e nu. Este é o preço do encontro, do possível encontro com o outro. A construção de tal possibilidade passa a ser, desde então, o trabalho do homem que merece o seu nome.” (De uma carta de Hélio Pellegrino.)
Pesquisando sobre o trecho acima descobri, que tem uma segunda parte, ou melhor, uma reformulação feita por Hélio Pellegrino, bem mais humorada, a qual transcrevo como esta no site releituras:
"Quando você faz 20 anos está de manhã olhando o sol do meio dia. Aos 60 são seis e meia da tarde e você olha a boca da noite. Mas a noite também tem seus direitos. Esses 60 anos valeram a pena. Investi na amizade, no capital erótico, e não me arrependo. A salvação está em você se dar, se aplicar aos outros. A única coisa não perdoável é não fazer. É preciso vencer esse encaramujamento narcísico, essa tendência à uteração, ao suicídio. Ser curioso. Você só se conhece conhecendo o mundo. Somos um fio nesse imenso tapete cósmico. Mas haja saco!"
sábado, 23 de outubro de 2010
Um dia é preciso parar de sonhar
Um dia, ainda na faculdade, em uma palestra sobre arte e poesia, o palestrante falou que livros não mudam o mundo. Em uma plateia cheia de amantes dos livros, alguns jovens como eu, que acreditavam que a palavra tinha esse poder de impulsionar mudanças e fazer do mundo um lugar mais justo foi, no mínimo decepcionante. Ele dizia que, o livro, a a poesia não mudam o mundo, quem muda o mundo são as pessoas. No entanto, a poesia, a arte, as obras podem mudar as pessoas e essas podem mudar o mundo.
Eu tenho a pensar nessa semana, principalmente, no poder da palvavra, no que ela significa pra mim e não força que ela me traz. Tenho a a pensar em coisas que passei nos últimos anos, no que aprendi, nas pessoas que conheci.Em muitos momentos, no qual eu pensava em desistir, caia-me um livro em minhas mãos que dava-me força para recomeçar ou um amigo mostrando confiança e estando ao meu lado. É certo que todos nós cometemos erros nessa vida, e acredito também que é errando que se aprende, basta que haja compreensão, perdão e força para continuar.
Eu tenho uma coleção de escritores, alguns nem tão aclamados pela crítica que me ensinaram algumas coisas sobre mim, mas principalmente ensinaram a compreender os outros. E essa compreensão do outro é base para que a gente se aceite e se compreenda. No final das contas, olhando e entendendo o outro, eu procuro me entender. O Fonseca tem me incomodado com a tal coragem do escritor (outra hora escrevo sobre isso); o Bukowsiy com a sujeira poética de ser; o Woody Alen com uma escrita simples e esteticamente encantadora de não se literato sendo; o Guimarães Rosa, com aquela prosa cantada que parece que estou no sertão; o intimismo da Lispector; a sabedoria do Pessoa, e sem falar de tantos outros que me inspiram para tantas coisas.
No momento, estou em uma fase, digamos assim, mais exploradora. Depois da leitura de cem dias entre o céu e a terra, sinto que o Klink também tem me inspirado. Ontem, uma amiga postou uma frase dele. "Um dia é preciso parar de sonhar e, de algum modo, partir". O meu comentário foi simplesmente inspirador. Sonhos são tão bons, eles nos motivam a continuar, fazem com que a gente acredite em algo e siga em frente. Mas um dia é preciso parar de sonhar e, assim como um filho, deixa-lo partir e seguir o seu destino de ser real. Pode ser um livro, uma viagem, um amor. O sonho só ganha a dimensão de alegria e a encantamento lendário porque de alguma maneira eles se tornaram reais. Como trabalho gestão de projeto, tenho percebido que alguns projetos, os bons, nascem dos sonhos ou dos problemas, ou simplesmente de sonho. É quando há um problema, o projeto surge da vontade, do sonho em resolver um problema, portanto sonho again. Mas voltando, quando conseguimos transformar as ideias da mente ou a paixão do coração, os projetos nascem. Isso é só o começo, eles ainda precisam formar um identidade, ter pessoas, lidar com conflitos, mudanças ao longo do caminho e crescerem.
Assim como a literatura tem me ensinado a crescer, o trabalho com projetos também. No final das contas eu cresço junto com eles, e percebo que inspiração, sonhos e amizade são coisas interligadas nessa minha jornada. Entendo hoje, que para continuar, seguir em frente, no meu caso só foi possível devido a uma forte estrutura de amigos que me inspiram, me fazem sonhar e continuar. Penso que no final das contas, são mesmo as pessoas e nãos os livros que mudam a gente. Mas que para isso aconteça, Um dia é preciso parar de sonhar...
Eu tenho a pensar nessa semana, principalmente, no poder da palvavra, no que ela significa pra mim e não força que ela me traz. Tenho a a pensar em coisas que passei nos últimos anos, no que aprendi, nas pessoas que conheci.Em muitos momentos, no qual eu pensava em desistir, caia-me um livro em minhas mãos que dava-me força para recomeçar ou um amigo mostrando confiança e estando ao meu lado. É certo que todos nós cometemos erros nessa vida, e acredito também que é errando que se aprende, basta que haja compreensão, perdão e força para continuar.
Eu tenho uma coleção de escritores, alguns nem tão aclamados pela crítica que me ensinaram algumas coisas sobre mim, mas principalmente ensinaram a compreender os outros. E essa compreensão do outro é base para que a gente se aceite e se compreenda. No final das contas, olhando e entendendo o outro, eu procuro me entender. O Fonseca tem me incomodado com a tal coragem do escritor (outra hora escrevo sobre isso); o Bukowsiy com a sujeira poética de ser; o Woody Alen com uma escrita simples e esteticamente encantadora de não se literato sendo; o Guimarães Rosa, com aquela prosa cantada que parece que estou no sertão; o intimismo da Lispector; a sabedoria do Pessoa, e sem falar de tantos outros que me inspiram para tantas coisas.
No momento, estou em uma fase, digamos assim, mais exploradora. Depois da leitura de cem dias entre o céu e a terra, sinto que o Klink também tem me inspirado. Ontem, uma amiga postou uma frase dele. "Um dia é preciso parar de sonhar e, de algum modo, partir". O meu comentário foi simplesmente inspirador. Sonhos são tão bons, eles nos motivam a continuar, fazem com que a gente acredite em algo e siga em frente. Mas um dia é preciso parar de sonhar e, assim como um filho, deixa-lo partir e seguir o seu destino de ser real. Pode ser um livro, uma viagem, um amor. O sonho só ganha a dimensão de alegria e a encantamento lendário porque de alguma maneira eles se tornaram reais. Como trabalho gestão de projeto, tenho percebido que alguns projetos, os bons, nascem dos sonhos ou dos problemas, ou simplesmente de sonho. É quando há um problema, o projeto surge da vontade, do sonho em resolver um problema, portanto sonho again. Mas voltando, quando conseguimos transformar as ideias da mente ou a paixão do coração, os projetos nascem. Isso é só o começo, eles ainda precisam formar um identidade, ter pessoas, lidar com conflitos, mudanças ao longo do caminho e crescerem.
Assim como a literatura tem me ensinado a crescer, o trabalho com projetos também. No final das contas eu cresço junto com eles, e percebo que inspiração, sonhos e amizade são coisas interligadas nessa minha jornada. Entendo hoje, que para continuar, seguir em frente, no meu caso só foi possível devido a uma forte estrutura de amigos que me inspiram, me fazem sonhar e continuar. Penso que no final das contas, são mesmo as pessoas e nãos os livros que mudam a gente. Mas que para isso aconteça, Um dia é preciso parar de sonhar...
quinta-feira, 2 de abril de 2009
Filosofia, hoje não
Por favor, filosofia de bar hoje não; papo cabeça? Não, obrigado, também não estou a fim.
Há dias em que parece que estamos cansados de tudo, de todos, do mundo. Não, não é aquela historia de que "o mundo me odeia, eu odeio o mundo, que ninguém gosta de mim e que tenho pena de mim". Não, não é disso que estou me referindo. É mais para o estilo, "estou realmente cansado e preciso dar um tempo". Lembra aquela música do Raulzito? É aquela mesma "para o mundo que eu quero descer". É mais ou menos disso que estou falando. É um cansaço.
Mesmo cansado, e no meio desse texto, me pergunto se escrever também não é filosofar. Tem gente (Adorno, Benjamim e outros estudiosos da cultura e da arte) que se referem a produção escrita, espeficamente a literatura, mas em geral o ato de escrever como sendo a arte mais intelectual que existe, e que, portanto exige mais reflexão. Nesse sentido até pode ser filosofia, mas é uma filosofia do eu para mim. Tudo bem, eu sei que o mundo terá acesso e então será do eu para o mundo, mas no momento em que escrevo, na solidão, estou apenas comigo mesmo. E nesse momento meu é que surgem as primeiras letras, caracteres na superficie; é quase como ato de dar a luz, mas neste caso, é no sentido de produção de algo.
Produzir é criar, fazer uma transformação de algo em uma outra coisa. Nessa linha de criação, de produção do texto, do post, o cansaço meio que fica de lado. O o sentimento é mais de paz, de alivio. Daí percebo outra coisa, que eu não estava cansado do mundo, das pessoas, da filosofia barata, do pagode, do funk, do lugar comum... Tá estava/estou, mas no caso o que me desanimava não era efetivamente o mundo e algumas expressões presentes nele. Isso era apenas a ponta de algo maior, uma carência de alguma coisa, uma saudade de alguém que no meio dessa confusão eu acabo me afastando. O cansaço do mundo, das pessoas era apenas saudade de mim, de estar comigo, da falta de ter um tempo para mim.
Quando comecei a escrever, parei o mundo, então percebi que era saudade de mim, saudade de estar com as minhas ideias soltas, dos sonhos, dos devaneios, sem julgamento, sem confusão. Só eu com meu ser. Por isso, que hoje, filosofia de bar não, eu só quero mesmo relaxar, um pouco de reflexão solitaria, alguma escrita e muito eu.
Carlos Carreiro
Há dias em que parece que estamos cansados de tudo, de todos, do mundo. Não, não é aquela historia de que "o mundo me odeia, eu odeio o mundo, que ninguém gosta de mim e que tenho pena de mim". Não, não é disso que estou me referindo. É mais para o estilo, "estou realmente cansado e preciso dar um tempo". Lembra aquela música do Raulzito? É aquela mesma "para o mundo que eu quero descer". É mais ou menos disso que estou falando. É um cansaço.
Mesmo cansado, e no meio desse texto, me pergunto se escrever também não é filosofar. Tem gente (Adorno, Benjamim e outros estudiosos da cultura e da arte) que se referem a produção escrita, espeficamente a literatura, mas em geral o ato de escrever como sendo a arte mais intelectual que existe, e que, portanto exige mais reflexão. Nesse sentido até pode ser filosofia, mas é uma filosofia do eu para mim. Tudo bem, eu sei que o mundo terá acesso e então será do eu para o mundo, mas no momento em que escrevo, na solidão, estou apenas comigo mesmo. E nesse momento meu é que surgem as primeiras letras, caracteres na superficie; é quase como ato de dar a luz, mas neste caso, é no sentido de produção de algo.
Produzir é criar, fazer uma transformação de algo em uma outra coisa. Nessa linha de criação, de produção do texto, do post, o cansaço meio que fica de lado. O o sentimento é mais de paz, de alivio. Daí percebo outra coisa, que eu não estava cansado do mundo, das pessoas, da filosofia barata, do pagode, do funk, do lugar comum... Tá estava/estou, mas no caso o que me desanimava não era efetivamente o mundo e algumas expressões presentes nele. Isso era apenas a ponta de algo maior, uma carência de alguma coisa, uma saudade de alguém que no meio dessa confusão eu acabo me afastando. O cansaço do mundo, das pessoas era apenas saudade de mim, de estar comigo, da falta de ter um tempo para mim.
Quando comecei a escrever, parei o mundo, então percebi que era saudade de mim, saudade de estar com as minhas ideias soltas, dos sonhos, dos devaneios, sem julgamento, sem confusão. Só eu com meu ser. Por isso, que hoje, filosofia de bar não, eu só quero mesmo relaxar, um pouco de reflexão solitaria, alguma escrita e muito eu.
Carlos Carreiro
sexta-feira, 21 de abril de 2006
Pra recomeçar
A vida é um sempre recomeçar. Há quem diga que morremos e vivemos muitas vezes, na mesma vida. Este blog, pelas faltas de atualizações que teve, vive assim morrendo e renascendo, no entanto sua presença é constante. Confesso que ele não tem ganhando a prioridade necessária em minha vida. Há coisas mais importantes, embora eu padeça de uma carência de literatura. Tenho recomeçado a ler algumas coisas, Guimarães Rosa, Machado de Assis, Osman Lins, Fernando Pessoa. Há mais de um ano que tenho lido trecho desses autores.
Revisito-os constantemente, bem menos constante do que eu queria, mas assim mesmo os revisito. É a minha maneira de mostrar ao mundo e provar a mim, que não existe só desgraça; que no mundo há muitas coisas que faz a humanidade se orgulhar de sua existência. A leitura e a literatura me prova isso com mais freqüência, mas as artes em geral tem esse poder, principalmente a obra-prima que nós somos e aquela que construímos diariamente, a nossa vida.
A literatura me faz mais humano e cada vez que percebo isso, tenho mais orgulho de mim. Não sei explicar porque gosto tanto de ler. Às vezes, leio para fugir da solidão; outras, para não pensar na politica nacional, nas injustiças, mas leio fundamentalmente para sentir-me vivo, com esperança renovada e com a força restaurada. Lamento profundamente, por aqueles que não sentem esse prazer da leitura. Esse refugio dos intelectuais, dos letrados, dos estudantes, dos sonhadores, dos contadores de história, dos solitários... Um refúgio para criar novas vidas, para viver novas emoções, para a aprender a construir um mundo real mais digno e humano, para reconstruí-lo, enfim para recomeçar.
Pra recomeçar este blog escolhi a literatura, ou melhor, um poema de Alváro de Campos, heterônimo de Fernado Pessoa, chamado Lisbon Visited (1923). Por que esse poema? Porque é um recomeço.
NÃO: Não quero nada.
Já disse que não quero nada.
Não me venham com conclusões!
A única conclusão é morrer.
Não me tragam estéticas!
Não me falem em moral!
Tirem-me daqui a metafísica!
Não me apregoem sistemas completos, não me enfileirem conquistas
Das ciências (das ciências, Deus meu, das ciências!) —
Das ciências, das artes, da civilização moderna!
Que mal fiz eu aos deuses todos?
Se têm a verdade, guardem-na!
Sou um técnico, mas tenho técnica só dentro da técnica.
Fora disso sou doido, com todo o direito a sê-lo.
Com todo o direito a sê-lo, ouviram?
Não me macem, por amor de Deus!
Queriam-me casado, fútil, quotidiano e tributável?
Queriam-me o contrário disto, o contrário de qualquer coisa?
Se eu fosse outra pessoa, fazia-lhes, a todos, a vontade.
Assim, como sou, tenham paciência!
Vão para o diabo sem mim,
Ou deixem-me ir sozinho para o diabo!
Para que havemos de ir juntos?
Não me peguem no braço!
Não gosto que me peguem no braço. Quero ser sozinho.
Já disse que sou sozinho!
Ah, que maçada quererem que eu seja da companhia!
Ó céu azul — o mesmo da minha infância —
Eterna verdade vazia e perfeita!
Ó macio Tejo ancestral e mudo,
Pequena verdade onde o céu se reflete!
Ó mágoa revisitada, Lisboa de outrora de hoje!
Nada me dais, nada me tirais, nada sois que eu me sinta.
Deixem-me em paz! Não tardo, que eu nunca tardo...
E enquanto tarda o Abismo e o Silêncio quero estar sozinho!
sexta-feira, 8 de abril de 2005
Ser inteligente
É comum entre muitas pessoas uma irritação com a “burrice” alheia, e aos berros se indignarem “Como pode ser tão burro”, “Eu não acredito que exista gente assim”, entre tantas outras expressões que ridicularizam toda uma condição humana. Quando chamamos alguém de burro queremos atingir, principalmente, a sua inteligência intelectual. Sendo assim tentamos comparar o individuo a um animal irracional. Eu só não sei se a falta de capacidade intelectual faltou ao receptou ao emissor, uma vez que inteligência também é a capacidade que temos de pensar, de compreender; capacidade de resolução de novos problemas e de adaptação a novas situações.
Nas artes, principalmente, nas obras contemporâneas é comum haver o questionamento se de fato a obra é uma arte, se rap é música, se um clipes é uma forma de expressão artística. Muito dos problemas causados na recepção da obra de arte é ocasionada pela carência de educação artística em nossa formação, essa mesma carência atinge os relacionamentos que temos com as pessoas. Com uma mente fechada quando encontramos uma nova forma de expressão a primeira reação é negá-la, criticá-la, mais pela nossa falta de entendimento e aceitação do que pelas qualidades estéticas da nova forma. No relacionamento interpessoal ocorre algo semelhante, quando não conseguimos entender como uma pessoa não entende o que estamos falando, e sem tentar explicar saímos xingando e deixamos a pessoa apavorada e sentindo-se o ser humano mais imbecil do mundo. Há um consolo, isso acontece com todo mundo, mas não deveria... Ser inteligente não significa saber tudo de tudo, mas sim ter a capacidade de aprender coisas novas, de compreender. Acredito que acima de tudo inteligência seja a capacidade que temos de nos mantermos vivos.
A planta quando esta sem sol, se contorce, busca a luz necessária para a sua sobrevivência; os cachorros que não sabem ler nem entende de legislação de transito, sempre olham para os lados antes de atravessar as ruas, de alguma maneira eles sabem que se o carro atingi-los algo de ruim vai acontecer. Na década de 50, nos Estados Unidos, B.F Skinner criava teorias do comportamento que ficou conhecida como Behaviorismo e tinha a tese de que todo o comportamento poderia ser condicionado, com os animais isso funcionava muito bem. A luz do sol era um estimulo que condicionava plantas a buscarem a luz solar. As experiências de Skinner eram o maior sucesso e ajudou muito o exército norte-americano no desenvolvimento de novas formas de ensino de idiomas, o que facilitou o aprendizado de maneira mais rápida e eficiente. Só que houve um problema nos estudos de Skinner, ratos e cobaias de laboratório conseguiam aprender por meio de estímulos mas não conseguiam aprender. Os animais irracionais de um modo geral não são burros porque não tem a capacidade de aprender, mas principalmente porque não conseguem criar coisas novas.
Não precisamos perder a paciência quando alguém não entender o que estamos dizendo, ou perdermos a paciência conosco quando não entendermos o outro. Temos que lembrar que ser inteligente é ter a capacidade de pensar, entender e aprender o que não entendemos, melhorando a nossa vida e os relacionamentos com as pessoas que amamos.
Nas artes, principalmente, nas obras contemporâneas é comum haver o questionamento se de fato a obra é uma arte, se rap é música, se um clipes é uma forma de expressão artística. Muito dos problemas causados na recepção da obra de arte é ocasionada pela carência de educação artística em nossa formação, essa mesma carência atinge os relacionamentos que temos com as pessoas. Com uma mente fechada quando encontramos uma nova forma de expressão a primeira reação é negá-la, criticá-la, mais pela nossa falta de entendimento e aceitação do que pelas qualidades estéticas da nova forma. No relacionamento interpessoal ocorre algo semelhante, quando não conseguimos entender como uma pessoa não entende o que estamos falando, e sem tentar explicar saímos xingando e deixamos a pessoa apavorada e sentindo-se o ser humano mais imbecil do mundo. Há um consolo, isso acontece com todo mundo, mas não deveria... Ser inteligente não significa saber tudo de tudo, mas sim ter a capacidade de aprender coisas novas, de compreender. Acredito que acima de tudo inteligência seja a capacidade que temos de nos mantermos vivos.
A planta quando esta sem sol, se contorce, busca a luz necessária para a sua sobrevivência; os cachorros que não sabem ler nem entende de legislação de transito, sempre olham para os lados antes de atravessar as ruas, de alguma maneira eles sabem que se o carro atingi-los algo de ruim vai acontecer. Na década de 50, nos Estados Unidos, B.F Skinner criava teorias do comportamento que ficou conhecida como Behaviorismo e tinha a tese de que todo o comportamento poderia ser condicionado, com os animais isso funcionava muito bem. A luz do sol era um estimulo que condicionava plantas a buscarem a luz solar. As experiências de Skinner eram o maior sucesso e ajudou muito o exército norte-americano no desenvolvimento de novas formas de ensino de idiomas, o que facilitou o aprendizado de maneira mais rápida e eficiente. Só que houve um problema nos estudos de Skinner, ratos e cobaias de laboratório conseguiam aprender por meio de estímulos mas não conseguiam aprender. Os animais irracionais de um modo geral não são burros porque não tem a capacidade de aprender, mas principalmente porque não conseguem criar coisas novas.
Não precisamos perder a paciência quando alguém não entender o que estamos dizendo, ou perdermos a paciência conosco quando não entendermos o outro. Temos que lembrar que ser inteligente é ter a capacidade de pensar, entender e aprender o que não entendemos, melhorando a nossa vida e os relacionamentos com as pessoas que amamos.




