É comum entre muitas pessoas uma irritação com a “burrice” alheia, e aos berros se indignarem “Como pode ser tão burro”, “Eu não acredito que exista gente assim”, entre tantas outras expressões que ridicularizam toda uma condição humana. Quando chamamos alguém de burro queremos atingir, principalmente, a sua inteligência intelectual. Sendo assim tentamos comparar o individuo a um animal irracional. Eu só não sei se a falta de capacidade intelectual faltou ao receptou ao emissor, uma vez que inteligência também é a capacidade que temos de pensar, de compreender; capacidade de resolução de novos problemas e de adaptação a novas situações.
Nas artes, principalmente, nas obras contemporâneas é comum haver o questionamento se de fato a obra é uma arte, se rap é música, se um clipes é uma forma de expressão artística. Muito dos problemas causados na recepção da obra de arte é ocasionada pela carência de educação artística em nossa formação, essa mesma carência atinge os relacionamentos que temos com as pessoas. Com uma mente fechada quando encontramos uma nova forma de expressão a primeira reação é negá-la, criticá-la, mais pela nossa falta de entendimento e aceitação do que pelas qualidades estéticas da nova forma. No relacionamento interpessoal ocorre algo semelhante, quando não conseguimos entender como uma pessoa não entende o que estamos falando, e sem tentar explicar saímos xingando e deixamos a pessoa apavorada e sentindo-se o ser humano mais imbecil do mundo. Há um consolo, isso acontece com todo mundo, mas não deveria... Ser inteligente não significa saber tudo de tudo, mas sim ter a capacidade de aprender coisas novas, de compreender. Acredito que acima de tudo inteligência seja a capacidade que temos de nos mantermos vivos.
A planta quando esta sem sol, se contorce, busca a luz necessária para a sua sobrevivência; os cachorros que não sabem ler nem entende de legislação de transito, sempre olham para os lados antes de atravessar as ruas, de alguma maneira eles sabem que se o carro atingi-los algo de ruim vai acontecer. Na década de 50, nos Estados Unidos, B.F Skinner criava teorias do comportamento que ficou conhecida como Behaviorismo e tinha a tese de que todo o comportamento poderia ser condicionado, com os animais isso funcionava muito bem. A luz do sol era um estimulo que condicionava plantas a buscarem a luz solar. As experiências de Skinner eram o maior sucesso e ajudou muito o exército norte-americano no desenvolvimento de novas formas de ensino de idiomas, o que facilitou o aprendizado de maneira mais rápida e eficiente. Só que houve um problema nos estudos de Skinner, ratos e cobaias de laboratório conseguiam aprender por meio de estímulos mas não conseguiam aprender. Os animais irracionais de um modo geral não são burros porque não tem a capacidade de aprender, mas principalmente porque não conseguem criar coisas novas.
Não precisamos perder a paciência quando alguém não entender o que estamos dizendo, ou perdermos a paciência conosco quando não entendermos o outro. Temos que lembrar que ser inteligente é ter a capacidade de pensar, entender e aprender o que não entendemos, melhorando a nossa vida e os relacionamentos com as pessoas que amamos.

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