sábado, 10 de março de 2012

Diabo, Freud, detalhes


Uma vez escutei uma frase que foi atribuída ao Freud e era mais ou menos assim “o diabo mora nos detalhes”. Não entendi o contexto na época e em vão procurei o texto do Freud sobre isso, mas uma coisa ficou, os detalhes. Não sou um caçador de demônios ou idolatrador do Diabo, mas com o tempo tornei-me, como me chamo, um apreciador de detalhes.


Gosto das pequenas coisas em grandes engrenagens; aquele pequeno parafuso que foi construído especialmente para aquela função, que demorou mais do que a engrenagem em si para ser produzida. Esse pequeno parafuso tinha que ser feito manualmente e perfeitamente irregular para a função.

Não sou o único, lembro que o Amyr Klink na construção do Paratti teve um caso semelhante, no qual ele enlouqueceu a equipe em busca de parafusos “perfeitos” para que tudo desse certo. São detalhes. Mas eles me fascinam. Lembro que na saga StarWars, no terceiro episódio, os Jedis lembram de apagar as memórios do R2D2 e do C3PO. Detalhes, mas isso explicava uma dúvida antiga minha:por que os robôs não revelaram a verdade.


É claro que percebo também quando eles não estão presentes. Por exemplo, em um filme que se passa em Paris e todo mundo fala inglês. Para mim não faz sentido ou no mínimo criar uma desculpa para que eu posso entrar na história. Em Meia-noite em Paris há essa desculpa; eles são turistas, vão para área de turistas e a noite, os artistas são americanos, estrangeiros. É um detalhe em toda a história do filme, mas eu gosto de detalhes, acho que aprendo muito com eles.


Quando um artista, diretor, escritor, ator presta atençao aos detalhes ele esta querendo dizer, em outras palavras, eu preciso fazer do meu trabalho o melhor porque alguém vai assistir, ler, ver, enfim para um tempo de suas vidas para olhar o meu trabalho. O mínimo que preciso fazer é que ele esteja no mínimo bom. É claro que tem a crítica né? A crítica má, que só quer destruir um trabalho de meses, anos, as vezes até décadas. E onde ela vai procurar as falhas? sim, nos detalhes. Mas e quando se trata do ser humano?


A partir de agora, comecei a entender melhor o Freud. É nos detalhes mesmo que esta o Diabo; só a espera de uma oportunidade para se mostrar. Ele passa desapercebido pelo trabalho da gente e quando menos esperamos, ele aparece. Às vezes, nos destrói, mas acho que o Freud não queria falar de destruição, mas de revelação. É que nos detalhes mostramos quem realmente somos e também a grandiosidade de um trabalho. É como se fosse o inconsciente, aquilo que escondemos até então, se revelasse nos detalhes. Penso nas pessoas que admiro e o que me encanta nelas é que, em geral, suas atitudes comprovam suas palavras. Quero dizer que os detalhes mostram-me que essas pessoas são verdadeiras consigo mesmo.


Hum... É seu Freud, faz sentido a sua frase, o diabo mora nos detalhes.

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