sexta-feira, 2 de dezembro de 2011

sobre caminhar e perder-se


Esses dias acordei com vontade de caminhar. A vontade não veio do nada, voltei a pensar mais seriamente em fazer o caminho de Santiago. Queria começar ontem, mas como ainda é preciso dinheiro para as passagens, um pouco de equipamento e preparação, controlei a ansiedade.


Mas vocês sabem como é criança, né? eu não ia para Santiago, mas precisava caminhar, precisava fazer algo para sentir que estava em movimento. Então conversei comigo e combinamos que iria visitar um parque “perto de casa”, sim uns 7km é coisa de nada para quem quer caminhar 30km por dia. Eu só esqueci um detalhe, eram 7km para ir e mais 7km para voltar.
Eu não sou marinheiro de primeira viagem, mas as vezes, faço umas que não tem explicação. A ida foi tranquila. Barbadinha, aguento fácil, fácil 7km ou 9km. Estava tão a vontade que quando vi a placa de um supermercado perto do parque, resolvi ir as compras. Devo ter colocar uns 5kg ou 6kg na mochila. Pensei comigo “é bom para treinar” e ainda era cedo.
Acontece que nessa época do ano, 5:30 já é noite; acontece que 5kg depois de alguns quilômetros, multiplicam-se; acontece que a pessoa acha que já conhece o lugar e tenta voltar por um caminho diferente. É óbvio que eu me perdi naquela escuridão, sem GPS, mapa ou coisa parecida. 

No entanto, foi quando eu estava perdido que percebi a importância de caminhar. Eu não fiquei nervoso, só segui e tentei seguir as placas e os sinais. É algo que as viagens me ensinaram e que tento colocar em prática na minha vida, siga os sinais. 

Depois de ficar rodeando, eu vi duas meninas que tinha passado por mim quando eu estava indo. Então pensei “é por aqui, estou no caminho certo”. Continuei, confiante da minha intuição e as coisas começaram se encaixar. Entrei em outra rua errada, mas percebi que já tinha visto a placa, só que de outro angulo, voltei; vi mais outro anúncio, uma monumento, o pub com cara medieval, a casa em que nasceu a mãe do Joyce. Nessa altura eu não estava mais perdido, sabia muito bem onde estava e para onde ir. 

Nesses instante percebi como é bom caminhar, essas voltas que damos na vida e nos fazem tão próximos de nós mesmos, essa meditação que a caminhada nos proporciona, esse encontro conosco. Cheguei em casa com dor nas costas por causa do peso, dor nas pernas por causa da caminhada, mas leve e satisfeito pela pequena jornada que eu havia vencido.

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