quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

palavras, liquidificador e aniversário

eu tenho andado incoformado. não a palavra não é inconformado, talvez seja perdido; não também não. Confuso seria uma boa para o momento, mas transmitiria esse liquidificador que mistura os pensamentos.

já passei dos 30 e ainda não aprendi lidar direito com o meu aniversário. todo ano é a mesma coisa: tudo me aborrece, nada tem graça ou sentido; uma sensação de cansaço; uma vontade de fazer nada e refugiar-me. tenho uma amiga que dá o nome ao período pré aniversário de "inferno astral". gosto do termo. há alguns anos, quando as pessoas ainda perguntavam o que eu tinha, apenas respondia, estou no meu inferno astral.

quando estou sem a lista de projetos definida, isso me aborrece ainda mais. uma cobrança do que tem sido a minha vida, o que tem feito de especial, uma necessidade de mudar. porque algo esta errado, algo esta fora do lugar. não consigo mais olhar a luar e ver o brilho, só vejo uma bola redonda no escuro. porra é uma imensa bola redonda, brilhosa,  imensa que esta flutuando na escuridão do universo. caralho!!! entendem a revolta?

esse ano não foi diferente. vem aquele liquidificador, a batadeira, os igredientes e a receita intitulada "quem é o carlos e o que é a vida dele" e eu batendo vento e misturando pensamentos. no dia do aniversário recebo os parabéns, geralmente calado,  mas conforme o dia vai passando vou reaprendendo algumas coisas, vendo outras. percebo que o carinho e as felicitações são os igredientes que faltavam, pois não se faz uma vida só de pensamentos. leio os recados, e começo a descobrir através dos olhares dos outros quem eu sou; leio e escuto sem entender direito a distância entre eu e eu mesmo.

passa a famigerada data e continuo confuso, mas não me sinto vazio. descubro-me amigo, descubro-me com essência. ainda carente de mudanças, das quais, umas não encontrei a força para mudar outras a mudança já começou. mas ainda algo que me falta para nomear o momento, uma inquietação... sim é isso, é essa a palavra. bem, eu tenho andado inquieto, mas falo disso outra hora porque esse já foi.

1 comments:

  1. Meu querido, depois que a gente abandona as referências de tudo que um dia compôs o chamado "lar", a inquietação e a sensação de estrangeirismo não nos abandona mais...
    Vanessa.

    ResponderExcluir