Esses dias estava conversando com uma amiga que pretende vir para Dublin, estudar inglês e viajar. entre uma pergunta e outra, ela perguntou-me: posso levar erva? (antes que alguém pense em outra coisa, quero dizer que sou gaúcho e culturalmente nós tomamos / bebemos chimarrão, bebida esta feita com água quente e erva).
Eu disse claro que pode e lembrei quando eu trouxe erva para a Europa. Foi em fevereiro de 2009. Eu estava planejando conhecer Paris, Londres e visitar uma amiga que estava em Dublin. É claro que ofereci levar algumas coisas para ela, mas ia demorar um pouquinho porque ia fazer um tour por Londres e talvez Escócia.
Foi uma viagem maravilhosa e aquela erva acompanhou-me ao longo do caminho. Quando cheguei em Paris, não sei porque, mas todos os brasileiros, e só os brasileiros, estavam tendo suas bagagens revistadas. "Caralho, agora danou-se como vou explicar que essa erva não é aquela erva. Eles não vão acreditar" pensei. Mas como bom-alguma-coisa que sou, deixei pra lá e coloquei as malas para revista, com uma cara de indignado, não entendia um bom dia em francês, mas sabia que eles entenderiam a minha. No fundo, eu tava cagado. Imagina, sair de Alvorada (é uma cidade perto de Porto Alegre, não se se esta no mapa) e ser deportado por levar erva-mate.
A minha mala passou e eles nem prestaram atenção na minha existência. Ufa. Fui correndo para o banheiro (não entendeu, deixa pra lá) e depois fui pegar o trem para o centro. Fiquei maravilhado quando cheguei ao centro e com as ervas.
Dois dias depois, fui para Londres. Dessa vez foi o contrário. Eu estava calmo, até chegar o momento da imigração: fiquei uns 15 minutos, mas pareceram uma duas horas, respondendo aquelas perguntas em inglês. Até hoje, não entendo como eu consegui respondê-las. Passei pela imigração, eu e a Erva. Ela acompanhou-me em Bath, em Edimburgo e Inverness.
Então estava chegando perto ao destino final: Dublin. Uma confusão para conseguir ir até lá, mas no final, conseguimos dar um jeito. Pegamos um ônibus, de Edimburgo para Glasgow. De Glasgow até a barca; atravessamos de barca e chegamos na Irlanda do Norte, em Belfast; De lá, pegamos outro ônibus, e então finalmente chegamos em Dublin: eu e a erva.
Três dias depois, despedi-me dela e voltei para o Brasil. Bela companheira de viagem e o interessante foi, passou tão rápido, que nem tivemos tempo para tomar um chimarrão, tchê.


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