sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012
E o chimarrão, tchê?
Eu disse claro que pode e lembrei quando eu trouxe erva para a Europa. Foi em fevereiro de 2009. Eu estava planejando conhecer Paris, Londres e visitar uma amiga que estava em Dublin. É claro que ofereci levar algumas coisas para ela, mas ia demorar um pouquinho porque ia fazer um tour por Londres e talvez Escócia.
Foi uma viagem maravilhosa e aquela erva acompanhou-me ao longo do caminho. Quando cheguei em Paris, não sei porque, mas todos os brasileiros, e só os brasileiros, estavam tendo suas bagagens revistadas. "Caralho, agora danou-se como vou explicar que essa erva não é aquela erva. Eles não vão acreditar" pensei. Mas como bom-alguma-coisa que sou, deixei pra lá e coloquei as malas para revista, com uma cara de indignado, não entendia um bom dia em francês, mas sabia que eles entenderiam a minha. No fundo, eu tava cagado. Imagina, sair de Alvorada (é uma cidade perto de Porto Alegre, não se se esta no mapa) e ser deportado por levar erva-mate.
A minha mala passou e eles nem prestaram atenção na minha existência. Ufa. Fui correndo para o banheiro (não entendeu, deixa pra lá) e depois fui pegar o trem para o centro. Fiquei maravilhado quando cheguei ao centro e com as ervas.
Dois dias depois, fui para Londres. Dessa vez foi o contrário. Eu estava calmo, até chegar o momento da imigração: fiquei uns 15 minutos, mas pareceram uma duas horas, respondendo aquelas perguntas em inglês. Até hoje, não entendo como eu consegui respondê-las. Passei pela imigração, eu e a Erva. Ela acompanhou-me em Bath, em Edimburgo e Inverness.
Então estava chegando perto ao destino final: Dublin. Uma confusão para conseguir ir até lá, mas no final, conseguimos dar um jeito. Pegamos um ônibus, de Edimburgo para Glasgow. De Glasgow até a barca; atravessamos de barca e chegamos na Irlanda do Norte, em Belfast; De lá, pegamos outro ônibus, e então finalmente chegamos em Dublin: eu e a erva.
Três dias depois, despedi-me dela e voltei para o Brasil. Bela companheira de viagem e o interessante foi, passou tão rápido, que nem tivemos tempo para tomar um chimarrão, tchê.
domingo, 9 de outubro de 2011
Carta do Hélio: conselhos sobre medo e o tempo
Dos livros que trouxe na mochila, nenhum deles fazia parte dos livros de literatura que eu mais gostava. No momento, fiz um esforço tremendo para deixá-los no Brasi. Busquei ser prático, trouxe apenas alguns livros de inglês, guias de viagem e de fotografia. Os livros de literatura, após a chegada em Dublin seria da literatura irlandesa, britânica ou americana. Seria livros em inglês.
No entanto, trouxe um que, embora não fosse um guia de viagem, narrava uma jornada incrível. Por um motivo ou por outro, resolvi trazer esse livro comigo. Trata-se do Paratii: entre dois pólos, livro de Amyr Klink relatando as duas viagens: uma referente a que ele realizou até o sul da Antártica; a outra, é a da construção do Paratti. A forma narrativa em que o Amyr contas as suas aventuras me encantam tanto. Ficou motivado e tentado a construir um barco e viajar por esse mundo. Bem, há outras formas de viajar. E uma delas é através da leitura.
O livro é maravilhoso, cheio de encantos e de passagens inesqueciveis. E de uma sabedoria mundana ou seria humana, que assusta de tão simples. Além disso é inspirador. Para quem já viajou, se vê nas aventuras do Amyr, com os medos, as surpresas que uma viagem nos reserva; para que sonha em viajar, encontra a coragem para correr atrás do seu sonho. Eu já tinha começado o meu sonho, quando terminei de ler o livro. Foi o meu grande companheiro nas horas de "ansiedade". Terminei de ler o Paratti no escritório da imigração irlandesa, enquanto esperava a resposta sobre o meu visto para estudar um ano em solos irlandês.
Mas voltemos ao livro. Tem uma parte dele que me encanta mais do que as outras, curiosamente não foi escrita pelo Amyr e sim por um amigo seu chamado Hélio. Na carta, o Hélio pede desculpas ao Amyr por chamá-lo de amigo. Ele explica que "apesar de bastante termos conversado, e sempre, de minha parte pelo menos, sentindo uma grande empatia, não cheguei na sua intimidade", mas como se conhecem e compartilham coisas resolveu chama-lo assim. O Hélio tentar dar alguns conselhos para o Amyr. Li a carta como se eu fosse o destinatário, e talvez por isso eu tenhta tanta estima por ela. Vez que outra ainda a releio, pois é uma vonta de inspiração para mim. A começar pelo nome do Blog. Enquanto o Hélio explica porque resolveu chamar o Amyr de amigo ele conclui com o seguinte trecho: "A vida é infinita, e há muito por viver. Live and Let live. Um dia as coisas acontecem!".
Mas além de inspiração, guardo também um trecho sobre o medo que, no momento tiveram muito significado para mim e que ainda merecem uma crônica ao assunto. O Amyr admitiu em outros livros e entrevistas que sim tem medo. Muitos olham surpreso quando ele admite que tem medo. Penso que só quem tem medo, pode desenvolver a coragem. Aquele que nada teme, ao meu ver, não se trata de um corajoso, é outra coisa, mas não coragem. O meu pensamento sobre medo ainda estava / esta em desenvolvimento, mas as palavras do Hélio atingiram a minha alma, pois ele escreve algo parecido. O Hélio escreve "Medo, meu irmão, a gente passa por isso", fala que o medo é inevitável e para ele o "grande corajoso é aquele que tem plena consciência de seu medo, e, sendo esperto,sabe admnistrá-lo". E conclui, "medo é inevitável e que só quem sabe de si sabe vencê-lo". Tirei dessa frase uma outra reflexão, que as vezes não é o ato de coragem que nos leva a alcançar os nossos sonhos, mas o medo que temos em realiza-los. O medo é tão grande, tão sufocante que nos obriga a recorrermos a coragem e enfrentá-lo.
A outra passagem trata-se do tempo. Por muito tempo, guardei só essa passagem da carta: "Um dia, meu amigo Amir, eu descobri que tinha todo o tempo do mundo. Foi um dia que eu joguei a âncora (...) e me apercebi que ali eu poderia ficar um segundo ou um ano. Foi o dia que eu percebi que era o soberano do meu TEMPO". Até a leitura disso, eu não tinha percebido, que cada um de nós podemos ser os senhores do nosso tempo. É que em linhas gerais, O Hélio diz pro Amyr ficar o tempo que tiver que ficar no mar, que lá não há relógio, cronogramas ou calendários. É ele e o mar. Eu guardei aquilo e tento lembrar-me sempre, porque percebo que cada um é senhor do seu tempo. Se eu precisar de mais tempo para fazer algo ou simplesmente não quiser faze-lo, eu posso. No fundo não há nada que nos obrigue a fazer isso aquilo, além de nós mesmos. Acho mesmo, que nos cobramos muito por tarefas, por tempo; para fazer isso e aquilo, e esquecemos às vezes de parar, como o Hélio sugere. Esquecemos de parar e contemplar o oceano que esta a nossa frente, atrás, ao redor da gente. Podemos fazer isso, desde que a gente se permita, a final somos autor de nossa vida, o personagem principal.
O Hélio escreveu a carta antes do Amyr partir. E no livro o Amyr publica a carta como uma introdução do Paratti. O livro é do Amyr Klink, fantástico, mas para mim o Hélio roubou a cena com essa carta.
sexta-feira, 27 de novembro de 2009
Chegada em Montevidéo
Eu deveria começar os relatos com os preparativos, escolha do hotel, roteiro, mas o mundo é caótico eu adoro uma leitura in media res (aquelas que começam pelo meio). Feito a introdução, que o relato prossiga.
A primeira vista eu fiquei encantado com a capital uruguaia. Eu tive contado com o Uruguai, apenas com a fronteira com livramento e tinha a percepção que o país não havia evoluído, talvez não tenha mesmo, e ra muito feio, mas Montevidéo pelo menos é jeitosinha.
O Splendido Hotel não é aquele esplendor, mas é limpo, próximo do Teatro Solo e tem wifi. Fiquei com um quarto de frente para o para a rua, isso quer dizer que ele é barulhento pacas. Mas o pessoal do próprio hotel já havia avisado e como não me importo, tudo beleza. Até porque o que tá rolando é música MPB lá fora, mas eu vou resistir a pilsen ou pelo menos tentar.
Saludos
Literatura, movimento e álcool
Estou aguardando o embarque para Montevidéu. Enquanto aguardo o vôo, fiquei a pensar sobre o ato de escrever e alguns nomes vieram-me a mente e as suas motivações.
Há aqueles que ficam motivados bêbados… Nessa categoria devem estar a maioria dos escritores. Lembro inicialmente de um Bukowski, Dostoievski, Dickens para citar uns. Nessa de motivação lembrei dos que são motivados pelas criações alheias: de cara lembro do nosso querido Machado de Assis, que dopava de Shakeaspere, Balzac para escrever cada vez mais e melhor e na área interncional de um de nuestros hermano, um gaucho chamdo Borges. Suas brincadeiras literárrias com as enciclopedias fez com que um cego mostrassse a luz a muitos leitores.
Particularmente, vejo que minha motivação vem quando sinto que estou em movimento, isto é, preciso viajar para escrever. Gosto do espaço do aeroporto, do avião, de ônibus, trem, do ar do movimento do meio que me motiva a movimentar algumas letras.
Tento me lembrar de escritores com essa motivação e, como não sei, não lembro, sinto-me só. Resta-me apenas beber uma cerveja e juntar-me a Bukowski, Dostoievski...
Tin-tin
Carlos Ca rreiro
terça-feira, 3 de fevereiro de 2009
Na estrada, finalmente
Saí de Porto Alegre, as 00:30. Depois de mais de 8h na estrada cheguei ao destino. Como foi a noite, dormi a maior parte do tempo em uma desconfortável poltrona de avião. Estou na casa de um casal de amigos. Hóspedes adoráveis. Se alguém se interessar por Camboríu, sugiro o site do Viajandaun, enquanto não preparo as minhas dicas sobre a viagem.
Fotos, assim que eu descolar uma máquina fotográfica; Textos, assim que eu descolar outro computador.


