Creio no riso e nas lágrimas como antídoto contra o ódio e o terror
Li ao acaso esta frase do Chaplin, o que me levou automaticamente a pensar sobre a tristeza e a felicidade. Ultimamente tenho me esforçado bastante para encarar a vida de maneira positiva e deixar de lado aquele sentimento tão comum aos románticos e que nos leva ao desespero e ao sofrimento, entretanto o choro, a tristeza estão muito presentes em nosso dia-a-dia. E quando vi a frase, eu estava mais para as lágrimas do que para o riso, e percebi que o primeiro é tão importante quanto o segundo para sermos felizes.
Há momentos em que o choro nos persegue e nos intimida para enfretarmos os nossos medos, nossas angùstias, nossos problemas; isso nos revolta, um sentimento de injustiça nos persegue, nos enfraquece e voalá, um sentimento de tristeza preenche a alma. Aumentamos os problemas e sem saber, aumentamos também a nossa capacidade de resolvê-los.
O choro cumpre o papel de mantermos em sentido de alerta, de não nos iludirmos com mentiras, com promessas, com fantasias, que não raramente, somos nós os criadores. O choro a que me refiro é causado pela dor e pela tristeza, é a explosão máxima da dor, um sinal claro de que não conseguimos mais suportar aquele sofrimento em nosso coração. É a prova real que somos humanos e não conseguimos suportar tudo. Depois dele, tudo fica mais fácil, já chegamos ao final do poço e não há nada para fazer que mudará o passado, mas nos defrontamos com o fato real que é fazer alguma coisa a respeito do que acabamos de sofrer, ou podemos escolher voltarmos a sofrer. Isso é muito auto ajuda? É talvez seja, mas também é muito machadiano. É o realismo que nos ataca e diz: "tá e aí, vai ficar o resto da vida chorando?"
Como diz a cultura popular o choro limpa a alma e cada vez mais penso que limpe mesmo, ou pelo menos limpa os nossos olhos para entender que a raiva não era tão grande assim, que a vingaça não é necessária, que é possível perdoar uma ofença, ao invés de retrucá-la. É neste sentido, e é por isso, que também creio no choro com andídoto contra a dor e o terror; e como algo fundamental para amadurecermos, entender os outros, ter mais compaixão, enfim sermos mais felizes.
Metáforicamente, penso que Chaplin fazia referencia ao cinema, às artes em geral, quando mencionava a sua crença no riso e no choro, mas isso fica para um outro dia.
Carlos Carreiro

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