Recentimente li o livro Uma ética para o novo milênio, do senhor Dalai-lama. Ao contrário do que imaginava, a obra nao propaga o budismo como a única verdade absoluta. Os pontos mais interessantes do livro são justamente aqueles em que o autor se expõem com um sentimento de humanidade.
Logo no inicio, o autor propõem uma diferença entre moral e ética. A primeira sendo subjetiva, própria de cada ser humano; a segunda, como algo comum a todos. A diferenciação muito propícia, se o livro não se apresentasse como um produto da industria cultural do ocidente. Digo isso porque para falarmos em uma ética universal teríamos que falar, também, em uma cultura universal o que só poderia ser possível sobrepondo uma cultura a outra. No entanto, o livro não aborda um estudo entre ética e moral, apenas registra a opinião do autor, Dalai-Lama, sobre tais assuntos. Ao longo da obra, percebe-se que o objetivo é conversar com o leitor e não convencê-lo sobre este ou aquele assunto. É nesta simplicidade de opiniões que o autor consegue nos envolver e convidar para uma reflexão sobre problemas que atingem a todos nós seres humanos.
Há temas polêmicos, como a questão do meio ambiente e o capitalismo; a riqueza de pouco e a pobreza de muitos; o porte de armas, entre outros. Em muitos casos, nosso interlocutor propõem soluções que racionalmente estariam fora de alcance para a realidade mundial, mesmo assim, ele as faz e nos contamina com um sentimento de esperança em que é possível viver e construir um mundo melhor.
Neste livro, Dalai-Lama propaga a compaixão presente em muitas religiões quase sem usar argumentos religiosos, embora use e abuse do conceito universal de humanidade.
Carlos Carreiro

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