Alguém uma vez me disse que para quem escreve, um escritor, um poeta, o mais importante não era o ato de respirar, mas sim o ato de escrever. Sim, eu sei que é óbvio, de praxe, mas nem por isso deixa de ter a sua verdade.
Não me refiro apenas aos escritores, mas de um modo geral, a todos os artistas. Há nessas pessoas, uma necessidade latente de criar, como se isso fosse vital para a sobrevivência. E, de fato, creio que seja. Já faz algum tempo: estava na faculdade, final de semestre, com problemas familiares, a vida afetiva um caos, um sentimento de solidão e de inércia que levava minha auto-estima ao círculo dos traidores, no inferno de Dante. Resolvi colocar um pouco dos sentimentos no papel, não consegui, no entanto lembro de ter criado um texto de analise crítica para uma das disciplinas da faculdade. Quando terminei, percebi o quanto eu necessitava do processo de criação para sentir-me bem e nutrir um sentimento de realmente estar vivo.
Talvez, os estudiosos da mente, da alma e do comportamento humano digam que a sensação deve-se ao fato de eu ter podido exteriorizar os meus sentimentos de alguma maneira, pode até ser, mas na minha visão romântica (sim, eu ainda guardo em mim um pouco disso em mim), prefiro crer que eu necessitava respirar ares da criatividade, da imaginação, das idéias. De certa forma, isso fez com que eu não me centrasse mais nos meus problemas, mas sim em superá-los. Outro fato importante é que mesmo o artista, longe de uma fábrica ou de um escritório, tem a necessidade de produzir e é gratificado quanto mais e melhor produz. Só faço um ressalva aqui para o produzir mais. Neste caso, não necessita produzir 300 romances, 200 quadros o ato de produzir, de criar é também o de recriar, de moldar, por isso um artista pode ter feito ao longo de sua vida apenas uma poesia, mas ao longo do tempo sempre esteve produzindo essa poesia, e isso o gratifica e garante o oxigênio necessário para que continue vivendo.

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