Começo hoje um série de cartas para percorrer as aventuras de um homem apaixoanado através dos grandes casais da literatura.
Boa Leitura.
Carlos Carreiro
***
Beatriz,
Tenho o peito apertado; é uma sensação de amor presente. Eu lembro nessa dor nos tempos em que eu amava. Ah, essa tristeza gostosa que é amar. Meus olhos querem falar com o mundo e demonstrar tanta emoção; quero deixar as lágrimas rolarem pelo meu rosto. Nunca fui D. Juan, mas se os meu amores platônicos contassem eu ultrapassaria as conquistas daquele.
Mentira, tu sabes que até meus amores platônicos, meus sonhos românticos foram poucos. Vivo muito mais dos amores da literatura e de poucas emoções que vivi, do que de amores de verdade. Mas nas raras vezes, em que sinto esse aperto de paixão por ti; de querer estar próximo, de conversar conversar contigo, de sentir a tua presença. Ah, é tão gostoso. Ficar sem fome porque agora quem comanda o corpo não é o cérebro, mas sim o coração. Sorrir por estar vivo e sentindo essa tristeza que é te amar.
Como é incoerente o ser enamorado. A dor que ele sente é a mesma alegria que lhe motiva a viver. Ah, sofrer de amor... Ah, como é bom estar assim. Já enfrentei o inferno, o purgatório por ti meu anjo e se precisar, faço tudo novamente. Ou caso queira, invento uma nova jornada pelo teu amor. Mas lhe digo, de todos os círculos do inferno, de todas as privações do purgatório não há nenhuma tão cruel do que estar longe de ti.
Por isso vou ao teu encontro, sofro agora como Riobaldo sofreu no sertão aquele amor que tinha por Diadorim e que não podia ter, só porque eu me iludo na esperança de que tenho a certeza de que em teus braços serei feliz como um Romeu. Saio hoje eu teu encontro, como outrora saiu aquele cavalheiro da triste figura em busca de seu amor. E, a cada parada te escreverei as minhas perdas e as minhas fortunas, compartilharei as minhas aventuras e os meus sentimentos, pois minha Julieta mesmo que não estejas do meu lado, sentirei a tua presença quando te escrever.
Dante

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