Commecei esse texto de diferentes maneiras. Alias, começar um texto para mim é a parte mais complicada. Um dos motivos, é que gosto de começos in media res, e isso é mais fácil na narrativa do que eu um post. Mas de certa forma esta vai ser assim porque estamos em setembro e esse sentimento já passou, ou pelos menos, agora tenho conseguindo administrá-lo melhor.
Refiro-me ao sentimento de estar longe das pessoas que amamos. Sempre ouvi ou li, que quando você fica longe o que mais pesa é a saudade dos amigos e dos familiares. No auge da minha arrogância de super herói (lei o post para entender), pensei que conseguiria suportar isso, pensei que consegueria tirar essa de letra. Ledo e humano engano.
Já estava há mais de cinco meses, quase completando o sexto aqui na Irlanda quando me vi completamente só. Esse sentimento de estar só não esta relacionado a ter ninguém convivendo com você, nesse caso acho que a palavra melhor seria desamparado. Talvez por isso que quando as pessoas reclamam que sentem saudade, eu olhei meio que com os olhos atravessados, mas procuro entender o sentimento. Saudade é uma coisa boa, é você poder se lembrar de algum momento ou de alguém que você sente falta, mas significa que embora não preenchido o sentimento de satisfação, há a lembranças dos belos momentos vividos.
Talvez por isso eu não goste de usar a palavra saudade para descrever essa carência que sentimos de amigos e familiares. Porque acredito que nesse contexto, saudade assume uma outra dimensão. Além do sentimento de falta das pessoas ela carrega consigo uma sensação de desamparo. Penso que esse seja o sentimento com o qual mais sofremos quando estamos longe, não temos o suporte de amigos e familiares que teríamos se estivessemos em nossa terra natal.
Esse suporte, embora a gente não perceba quando o tem, ele faz toda a diferença quando não se tem. Esse suporte social de amigos e familiares é o que nos dá força para aguentarmos e conseguirmos lidar com alguns problemas. Por exemplo, você não tem dinheiro para pagar o aluguel ou a faculdade. Em uma perspectiva racional, não faz diferença se você esta no Brasil ou se você esta na China, você vai ter consequencias se não pagar. Ao meu ver, a grande diferença é que nesse suporte você pode contar com as pessoas para te ouvirem, para te darem força para buscar uma solução. Lembro que eu muitos dos problemas financeiros no Brasil, eu acabava não pedindo emprestado, o que eu pedia era tempo para que me ouvissem.
Eu sei que sempre posso contar com um e-mail, facebook, msn, skype ou telefone, mas é diferente. Essa distância do suporte, aumenta a ansiedade e faz com que problemas pequenos tenham a dimensão de grandes problemas. O problema em aumentar o tamanho da dimensão dos problemas, é que eles ofuscam a nossa capacidade de enxergarmos as soluções.
O lado bom disso tudo é que a gente aprende. Aprende que precisa segurar a onda e esquecer a distância, dar um jeito de usar o suporte que está longe; aprende a criar novos laços e suportes para que você reestabeleça a calma e siga em frente; aprende ou lembra que um problema ainda se resolve de maneira cartesiana, isto é, você o divide em partes menores e as resolve. Ou como disse-me uma amiga step by step. Ou simplesmente, como canta, Bobby McFerrin, "Don't Worry Be Happy"

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